Postado em 04/05/2009 22:03
Acordei e percebi que o dia estava nublado. Para onde eu olhasse, havia as nuvens acinzentadas de um dia tipicamente frio. Um dia tipicamente você. Não havia a simples brisa gélida de outrora, mas sim uma intensa rajada de ventos fortes. Arrumei-me para a escola sem nenhuma motivação. Geralmente não tinha, entretanto, nesse dia em questão, nada, nem mesmo a minha matéria favorita, química, me dava alguma motivação. Entrei na sala um pouco apreensivo. Será que sabiam de mim? Olho todos ao meu redor e procuro por Mary, aquela por quem sofro. Percebo que parecem cada vez mais longe de mim, ou sou eu que estou longe deles. Juno nem me reconhece. Me encontrou ontem a noite naquela chuva torrencial, no pior estado que, alguém como eu, poderia estar. Lembro-me bem da expressão que ela fez. Parecia sentir a dor junto comigo, parecia querer me ajudar, mas sem saber como. Será que ela já sofreu um abandono? Não sei. Agradecia a Deus por ela não ter contado a ninguém sobre o estado deplorável em que me encontrara. Eu cheguei na sala hoje de manhã sem muitas expectativas. Esperava alguns me fitando com aquele olhar penoso, e outros, mais precisamente aquelas cinco garotas fofoqueiras sentadas na fileira do meio, cochichando maldosamente sobre mim. Para a minha surpresa, a turma estava indiferente. Estampei, falsamente , o meu melhor sorriso, e enfrentei a aula com uma motivação mais mentirosa ainda. Juno era a única que não acreditava naquele sorriso, embora não me olhasse penosamente, é claro. Havia nela uma compreensão infinita, da qual eu queria saber qual era. Queria saber a história dela. Como parecia conhecer tão bem meus sentimentos? Tomei um susto. Era o sinal da escola tocando estridentemente. Que ódio desse sinal! Levantei-me de minha carteira branca com detalhes esverdeados. Coloquei a mochila acinzentada nas costas e já saia da sala quando aquela estranha brisa tocou meu rosto rumando para a porta da sala. Mordi o lábio inferior contendo alguns soluços. Senti os olhos arderem pedindo para deixar as lágrimas e alguém me puxou. Fazendo com que eu volte para a minha realidade inevitável. “Não devia chorar na frente dos outros. Isso só os fará sentir pena de você”.Foram as palavras de Juno. Depois disso não vi mais nada. Havia tantas pessoas me empurrando apressadamente para deixar a sala que vi somente alguns fios alaranjados de Juno desaparecerem em meios as pessoas. Por fim, nem a vi novamente. Deve ter saído despercebida, perante toda aquela multidão. Cheguei naquela tarde com meu irmão pedindo para conversar comigo. Sabia que eu não estava bem. Contei-lhe tudo. Acham que eu fiz bem? Agora me vejo aqui, frente a este monitor, contando a vocês meus caros leitores, tudo o que aconteceu após aquele turbilhão.
Será que Juno sofreu algo parecido?
Aron: Colocou até a Juno-chan no meio do seu balaio?
Sim! U.ú
Mary: O próximo é meu.
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