Postado em 02/10/2011 22:55

Era a primeira vez que pisava em um lugar tão... Emocionante. Passara toda a sua vida sendo uma garota bem comportada. Ótimas notas na escola, obediência completa aos pais, nenhuma reclamação de quem quer que fosse. Mas isto a estava sufocando e depois que foi pedida em casamento pelo único namorado que teve durante toda a sua vida, o sentimento só aumentou. Não queria acabar a sua vida daquele jeito brega e finalmente havia encontrado a coragem para isso. Terminou o noivado, sob o protesto dos pais, apenas dois dias depois de ser pedida e mudou-se para Tokyo. Se queria alguma diversão, sabia que só havia uma pessoa que podia ajudá-la.
- Yoko-chan! – O sorriso amigável da velha conhecida quase derreteu o coração de Yoko. Quando decidiu procurar a antiga colega de classe, não sabia se Megumi estaria disposta a recebê-la ou se sequer lembrava-se dela. Ficou feliz em saber que todas as suas suposições estavam erradas. – Oh! Kaito-kun pediu você em casamento? – Yoko não entendia o choque da garota, achava que todos os seus colegas já esperavam por esse resultado em sua vida. O choque não devia ser por ela terminar o noivado? Sem agüentar a curiosidade, deixou que a pergunta escapasse de seus lábios e recebeu um sorriso de Megumi como resposta. – Digamos que, de alguma forma, eu sabia que você viria me procurar. – A frase havia sido vaga demais, mas Megumi se recusou a dar mais detalhes sobre o que estava pensando. – O importante é que você quer virar seu mundo de cabeça para baixo e eu sei exatamente como fazer isso. Vamos! Está quase na hora.
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Era difícil dizer se o que a deixava mais envergonhada era a roupa minúscula que Megumi a obrigara a colocar ou a roupa ainda menor usada pela colega ou o fato de que meia dúzia de homens pareciam olhá-la como se fosse a ultima mulher da face da terra. – Não tenha medo, Yoko-chan. Eles gostam de carne nova, mas nunca vão fazer algo que você não queira. – Ela assentiu, ainda temerosa, e passou os olhos por um grupo de corredores que parecia se agitar. – O que está acontecendo? - Hmmm... Parece que alguém foi desafiado para uma corrida, nada dema... AH! Takashi-kun! – Megumi se jogou nos braços do recém-chegado, dando-lhe um beijo que Yoko classificou como “íntimo demais para ser publico”. – Eu vivo dizendo para eles arrumarem um motel, mas nunca me escutam. – Yoko estremeceu. Tinha se assustado por não perceber aquele homem se aproximando dela, porém, foi o hálito quente dele em seu pescoço, bem como o sussurro em seu ouvido, que fizeram ela se arrepiar. Yabai!
Virou-se e encarou seus olhos puxados. Quando ele sorriu, Yoko sabia que não havia mais nada a ser feito, tinha sido pega pelos encantos dele. Hayato tinha essa aura misteriosa e sexy o envolvendo e, desde que aprendera a controlá-la, não havia perdido a conquista de uma só mulher. Sabia que já tinha ganhado a noite, mas, ainda assim, queria ter todo o trabalho de seduzir aquela mulher, apenas pelo prazer de vê-la corar e estremecer mais uma vez. – Você não parece ser o tipo de mulher que costuma freqüentar essas festas. – De fato, ela não era e não havia nada que pudesse pensar em falar naquele momento para contradizê-lo. Respirou fundo. – É a primeira vez que venho para Tokyo, nunca tinha ouvido falar de um lugar como esse. – Ele sorriu, fazendo o coração de Yoko disparar. – Então... Deixe que eu mostre o lugar pra você. – Megumi ainda foi capaz de observar a colega afastando-se, as mãos de Hayato roçando nas suas. Kuso! Não era sua intenção que a noite de Yoko terminasse desse jeito, mas simplesmente não tinha conseguido se conter quando viu Takashi andando em sua direção. De qualquer forma, não havia como impedi-la. Não depois que Hayato a escolhera como alvo.
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Já faziam duas horas desde que Hayato a vira pela primeira vez. Não sabia exatamente porque, mas aquele jeito envergonhado de quem não pertence ao lugar simplesmente tinha despertado seu interesse. E o fato de que ela estava acompanhada da atual ficante de Takashi era apenas um detalhe que facilitava as coisas. Só precisou esperar o amigo ir de encontro à Megumi e aproveitar a chance para se aproximar dela. Tinha valido a pena. Agora, ele se divertia vendo-a desviar os olhos e corar cada vez que ele completava uma frase de forma insinuante e, ao mesmo tempo, desentendida. Yoko captava cada mensagem subliminar em suas palavras, sabia disso, e sua reação completamente diferente da que estava acostuma (como ver a mulher se jogando em seu colo) tornava a conversa mais interessante. Porém, já estava cansado daquele joguinho, estava na hora de recolher seu prêmio.
Em um momento oportuno, tirou uma mecha de cabelo dela de seus olhos e acariciou seu rosto. Palavras não precisaram ser ditas. Ele apenas sorriu e se aproximou dela, observando-a fechar os olhos, até que... Seu telefone tocou. Kuso! – Sumimasem. – Ele desculpou-se e levantou-se, indo atender ao telefone. Yoko não teve reação além de observar o homem se afastar alguns metros, enquanto revia tudo o que tinha acontecido. Tinha beijado um desconhecido. Quer dizer, quase. Ainda assim, a sensação era de que Hayato realmente tivesse tocado seus lábios. Seu coração estava palpitante, suas mãos suavam, parecia uma garotinha de treze anos prestes a dar seu primeiro beijo. Não, era mais que isso. Porque ela sabia que, como um homem como Hayato, aquilo não ficaria apenas no beijo, o que significava que realmente seria sua primeira vez.
Quando ele desligou, Yoko teve a esperança de que pudesse voltar aonde tinham parado e decepcionou-se ao ver a resposta em seu rosto. – Parece que vou ter que me retirar mais cedo essa noite. Vou te acompanhar até sua amiga. – Ela meneou a cabeça, aceitando, e o acompanhou até um par de carros estacionado longe da multidão. No início, não entendeu o que estava acontecendo, entretanto, logo pôde perceber que o vidro de um deles estava embaçado. Hayato bateu na porta duas vezes, sem cerimônia, e foi atendido por um Takashi nervoso e sem camisa. – O que você quer? - Acha que estou feliz em te chamar no meio da noite? Seu tio nos quer de volta em 10 minutos. – Takashi esbravejou e se virou para Megumi, pedindo desculpas pelo inconveniente. Enquanto a garota enrolava para descer do carro, Hayato se virou para Yoko. – Espero que possamos continuar nosso encontro em uma próxima oportunidade. – A olhada sugestiva para o Mazda RX-7 ao lado fez a garota desviar o olhar para o chão, incapaz de responder qualquer coisa. Megumi juntou-se então a ela e as duas observaram os carros.
Ela suspirou.
- Yoko-chan, tem uma coisa que eu preciso dizer sobre eles. – Curiosa, Yoko ergueu uma das sobrancelhas. – Não tem jeito fácil de falar isso, então aqui vai a verdade, nua e crua: Takashi é sobrinho do mais poderoso chefe da Yakuza. Hayato é seu braço direito. – A noticia fez Yoko arregalar seus lindos olhos amendoados. Era isso, então, o motivo da ligação? Yabai! Apesar de ser uma garota do interior, ela sabia o quanto era perigoso se envolver com um mafioso, ainda mais um de alto escalão como Megumi o descrevera. Tinha sido melhor assim, no fim das contas.
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Ou não.
A verdade é que, depois daquela noite, Yoko foi incapaz de esquecer a sensação de estar perto de Hayato. Agora que revivia tudo em sua mente, sabendo qual era a sua profissão, tudo parecia ficar ainda mais excitante e envolvente. Todas as noites que voltou para o ponto de encontro dos corredores de drift, ela procurava, inconscientemente, os olhos dele no meio da multidão. Não havia mais como negar. Ela queria ele. Precisava dele. Era o tipo de coisa arriscada e louca que desejou fazer por toda a sua vida. E mais! Sabia que seria algo de apenas uma noite, o que tornava tudo ainda mais instigante. Decidida a ter o que queria, ela passou a perturbar Megumi para que fossem todas as noites para o ponto de encontro. Megumi, por sua vez, achava que Yoko tinha perdido toda a sua razão ao mesmo tempo em que era interessante ver esse lado desesperado e meio pervertido vindo da garota mais certinha da escola. Por isso, ela a ajudou. Utilizou de seus melhores contatos para saber exatamente quando a dupla dinâmica da máfia apareceria e, no tal dia, levou a amiga ate lá.
Para sua decepção, Hayato estava acompanhado por uma garota que parecia obstinada a passar a noite toda grudada em seu pescoço. Porém, a obstinação (e paciência) de Yoko era ainda maior. Além disso, ver as mãos do homem deslizando pelo corpo da companheira sem pudor algum a deixava ainda mais ansiosa para tê-lo. Esperou durante quase toda a noite, afastada, até que por um motivo desconhecido Hayato finalmente ficou sozinho. Bom, o motivo não era tão importante quanto a conseqüência. Yoko caminhou, confiante, até o homem encostado em seu carro, recebendo um sorriso de Hayato assim que ela entrou em seu campo de visão. Chegou a abrir a boca para dizer algo, mas Yoko não permitiu isso. Com uma habilidade que nem mesmo ela sabia de onde tinha saído, segurou a gola da camisa dele e o puxou para um beijo quase cinematográfico, cheio de desejo. Separaram os lábios logo em seguida, arfando. – Vamos sair daqui. – Ela lançou um olhar para o Mazda e ele sorriu, concordando. Aquela Yoko parecia muito mais confiante e certa do que queria do que aquela que conhecera noites antes, mas Hayato não podia negar que isso o deixava ainda mais fascinado.
Yoko sabia das conseqüências daquela noite. Sabia que estava indo longe demais com um mafioso. Sabia que ele a deixaria pela manhã e nunca mais ouviria falar dele. Só não sabia que aquele caso traria conseqüências muito maiores. Não sabia que, dalí há alguns meses, sentiria enjôos, dores e tonturas. Não sabia que uma bela garotinha entraria em sua vida em pouco tempo. Não sabia que seria ela que faria de tudo para que Hayato não a encontrasse, temendo que ele pudesse levar sua filha para um mundo escuso. Ainda assim, decidiu não esconder o sobrenome dele. Videl Aoki. Sua filha tinha todo o direito de procurar pelo pai, caso isso lhe interessasse algum dia.
Muito embora Yoko fosse fazer o possível para que isso não fosse necessário.
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