Nas palavras que me formam
Perco-me no silêncio dos seus pensamentos
Perdido num mar de sonhos
No qual não sei chegar até você
Como se fosse próprio de mim
Nunca te encontrar novamente
Não vejo um caminho certo
Vivo em meio as palavras
E são por elas que eu me perco
Construindo sombras em minha volta
Escrevo, mas não sei o que dizer
A folha de papel, é minha alma
Escrevo pra que venha até mim
Na esperança de obter igualdade
Mas com o passar do tempo
Quando a esperança se esgota
Um misto de saudade e dor corrói
E a folha que antes continha desenhos
Dissipa-se vagarosamente...
A pintura que sempre me sorri
Desintegra-se, e o medo me invade
A ausência do completo assume forma
Vejo que minhas palavras, são alteradas
Tingem meu caderno com letras trêmulas
Meu céu nunca existiu,no fundo foi sempre um jardim
Solitário,repleto de um verde profundo
De monólogos tristes, incompreendidos
Sinto o vazio que me separa do céu, das estrelas
Triste sonho, não se completa, são sempre lembranças
Passado, por que me atormenta de sonhos?
Pudesse tudo isso acabar, pudesse nunca ter te amado
Não importa mais o mundo, não há luz pra alcançar
Talvez seja mais fácil que a folha esteja em branco
Quantos fragmentos borrados ficarão em mim
De suas memórias, das minhas lembranças?