Fanfic A arte de amar - Capítulo 1


Postado em 18/08/2011 20:25

Personagens Henrique
Tags Romance, Neve, Oneshot, Pintura, Mar

NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Shoujo (Romântico), Drama (Tragédia)
Avisos: Suicídio

 

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Sim terminada
 
 

Capítulo 1 - Capítulo Único



A arte de amar
Betada por ßPikenna



Estava ele no topo da ponte mais alta da cidade, sentado, olhando para o imenso mar azul. Pensava em sua noiva que havia falecido há algumas semanas atrás por um trágico acidente.
O rapaz trajava uma camiseta preta de mangas curtas e um casaco azul, calças largas em estampas do exército e chinelos.

Uma gota salgada cai de seu olho esquerdo, guiando as outras pelo mesmo caminho, fazendo com que o rapaz chorasse ali mesmo. Ele não conseguia mais se fazer de forte, não conseguiria viver sem a pessoa que sempre amou. A sua vida não seria a mesma sem ela... Na verdade não existiria vida sem ela.

Deu um suspiro forte e decidido, limpou a última lágrima restante de sua face e levantou-se com um olhar abatido. Apoiou-se no parapeito da ponte, andava lentamente e cabisbaixo. Planejava ir até a beira do mar logo abaixo. O que ele iria fazer? Só sua mente sabia de seus planos.

O dia estava frio, a escadaria da ponte estava coberta pelo branco da neve que havia caído na noite passada. O vento gelado batia no rosto do rapaz, fazendo o mesmo bater os dentes procurando por um pouco de calor. Ele desce o último degrau. Via aquele lindo mar azul, o horizonte celeste e a neblina branca formavam uma bela vista.

Ele se aproxima do mar agitado, suas ondas estavam fortes e audazes. O rapaz afunda o primeiro pé na água, sente um arrepio em seu corpo, cada pedaço de si havia congelado em um instante. Ele para por um minuto e olha para suas mãos. Estavam pálidas e tremiam sem cessar.

_ Nada devo temer, pois sem o meu amor, minha vida não faz sentido. - Pensou o rapaz decidido. Iria deixar que sua vida fosse levada pelo mar gelado e audaz.

Mergulhou o outro pé no oceano, as ondas batiam em seu joelho, e a água forte puxava-o para si. Cada passo dado por ele era um caminho andado para a morte, as ondas violentas pareciam entender seus sentimentos, queriam acabar com o sofrimento depressa.

Parou quando a água batia em seus ombros. O rapaz olha para trás, vê o mundo em que viveu por tanto tempo, e agora se despediria para poder viver com seu amor na imensidão.

_ Adeus - Ele sussurrou, tremendo de frio. Agora não restava fazer mais nada, apenas encontrar a bela dama que o estaria esperando.

Mergulhou para dentro do mar gélido, nadava para mais profundamente e densamente que conseguia. Planejava não voltar, nem ceder agora que conseguira o que queria.
Sua respiração já estava fraca, seu corpo se misturava com a água gelada. Sua temperatura se igualava a um corpo já falecido, sua visão estava embaçada, suas vistas escurecem pouco a pouco e se apagam.

Ali estava ele na escuridão. Um vácuo sem fim, sem nenhum ser por perto. Estava morto? Um brilho vem em sua direção, uma minúscula partícula de luz que lhe fica frente a frente.

Vozes penetram em sua mente, uma voz doce e suave. Pareciam cânticos de anjos com um sabor doce do mais puro mel. A voz se igualava a de uma dama, a mais bela que ele conhecia. A sua dama.

_Por que faz isto, oh, pequena alma? Jogar tua vida fora assim... Seu amor o espera. Mas, não é agora que irá encontrá-la.

Sentiu um abraço lhe firmar pelas costas. Um abraço tão quente que era capaz de se espalhar por todo o mar. A escuridão que lhe cobria some aos poucos e sua visão foi se restaurando. Via o lindo azul celeste do céu e os flocos de neve que caiam sobre seu rosto.

Levantou-se ainda sem acreditar que situava no mesmo lugar que havia estado antes. O garoto olhava para os lados, incrédulo. De onde veio a voz que havia escutado? Uma voz tão linda e suave. Queria apenas escutá-la mais uma vez... Sentir o calor daquele abraço.

O rapaz abraça-se aos seus próprios joelhos tentando aquecer-se. O vento gelado que batia em seu corpo úmido fazia com que o mesmo tremesse. Não acreditava que havia feito aquilo. Ele olha para o horizonte do mar, o lugar de sua suposta morte.

Ele vê a mesma partícula de luz da escuridão, estava ela ao longe, quase no meio do oceano. De lá surge uma bela moça, sua aparência era como a de um anjo. Trajava vestes brancas com fitas douradas na cintura. Tinha cabelos longos e negros e seu rosto era pálido como a de um cadáver. Possuía lábios carnudos e rosados, e sua face tinha o aspecto da inocência de uma criança.

A mesma voz veio a sua mente outra vez. Podia vê-la pronunciando cada letra que jazia na mente do rapaz.

_Não tentes tirar sua vida jovem. Não a salvarei de novo.

A moça foi se afastando para cada vez mais longe, até que desaparecera em meio à neblina. O rapaz olhava para o horizonte hipnotizado com a beleza da mesma. Seu coração palpitava e em tempos não se via um sorriso tão sincero como aquele que expressava em seu rosto. Antes que pudesse levantar do lugar onde estava, uma mão lhe segurou pelo ombro e o abraçou. O rapaz sentiu pequenas gotas caírem em seu ombro e uma voz em soluços dizia seu nome repetitivamente.

_Por que você fez isso Henrique? Deixou-me preocupada!

Era sua mãe. Ela chorava desesperadamente, e abraçava o filho como se o mesmo fosse se desfazer entre o vento impiedoso.

O rapaz corresponde ao abraço da mãe, sua respiração estava cada vez mais lenta. Sente uma fraqueza lhe tomar, seus músculos ficavam cada vez mais fracos.
Sua visão escurece e apenas consegue ouvir a voz de sua mãe que gritava por socorro.

* * *


_ Ele vai ficar bem doutor? - Perguntou a mãe do rapaz segurando o punho ao coração.

_ Ah, sim. Só precisa ficar bem aquecido e repousar, logo estará bem. Passe bem senhora.

_ Eu o acompanho até a porta.

A senhora acompanha o doutor, e com muito cuidado fecha a porta do quarto do rapaz para que ele não despertasse. Depois de a porta ser completamente fechada o jovem acorda, seus olhos abrem-se devagar. O mesmo olha para os lados constantemente tentando lembrar-se por que veio parar ali. Ele levanta-se sem muito esforço e senta-se na cama, olhando para o quarto com nostalgia. Era seu antigo quarto, quando ainda morava com sua mãe e seu pai. Vê ao lado da janela a tela de pintura, onde sempre expressava os sentimentos mais fortes e intensos.

Ele se levanta com calma e aproxima-se da tela de pintura. Ao lado dela havia uma mesa pequena, e em cima da mesma havia a paleta e alguns pincéis, todos intactos, do mesmo jeito que ele deixou.

Henrique tateia os pincéis com delicadeza, como se acaricia um animal fofo e peludo. Parecia tentar aprender novamente como se pintava, havia tanto tempo que não praticava tal ação que parecia esquecer como realizá-la com perfeição.

O mesmo abre uma caixa de madeira que havia dentro da gaveta da mesa, onde encontra várias tintas, de todas as cores que pudesse imaginar. Henrique pega a cor azul - a que mais lhe agradava - e afunda o pincel nela até que encharcasse, e com a leveza de uma pena passa sobre a tela branca, que foi tomando cor e forma.

O rapaz se sentia em harmonia a cada pincelada que dava na tela. O desenho foi se ajustando, se tornando belo. Podia sentir-se livre, liberava cada sentimento guardado em seu coração naquela pintura e, quando o último canto branco tornou-se cor, o desenho estava completo. Era o mais lindo e puro retrato que havia criado. As pinceladas se tornaram tão mágicas que transformaram aquele sentimento em arte.

A figura retratada na tela era de uma bela mulher de cabelos negros que andava sobre as águas de pés descalços. Seus olhos brilhavam e esboçavam o amor que ela tinha no coração.
Seu vestido era tão belo, que se igualavam aos de uma deusa. E por de trás da moça uma luz brilhava tão intensamente que emanava paz.

Henrique olhava para o rosto da mulher que havia ilustrado e se lembrava da moça que havia o salvado nas águas, a voz doce e gentil. De repente lhe veio um devaneio de sua noiva a beijar-lhe a testa e dizer o quanto o amava. Ele olhava para dentro daqueles lindos olhos cor de mel que expressavam a mais pura garota que conhecera.

_ Pois era ela... - Comentou o rapaz a si mesmo, elevando sua mão a boca pela surpresa.

De todas as pessoas que conhecera, quem mais o salvaria de tua morte se não a própria moça. O sussurro de apreensão que a mesma transmitia para com ele... O desejo de sua amada não era esse, que o rapaz fosse levado com as águas, mas que agarrasse a sua vida amando-a mesmo assim.

O jovem agarrou a tela e saiu correndo pelas escadas de sua casa, só foi capaz de ouvir os gritos de sua mãe chamando-o preocupada. Henrique corria como se não houvesse amanhã, seus pés descalços entravam em contato com a neve fria e fofa do chão. Sua respiração estava ofegante, seu corpo gelado por causa do vento frio que batia contra seu corpo.

Uma brisa veio de encontro aos seus cabelos, fazendo-os desalinhar e ele parou. Parou em frente àquela vista tão nostálgica, ao mar que queria tomar-lhe. As ondas continuavam fortes e brutas. O rapaz chegou perto das águas, entregou a ela a tela que estava em suas mãos e sussurrou com um sorriso:

- Ainda penso em você.

Fim


Notas Finais


Então galera! Mandem críticas, sugestões, elogios... Um comentário não vai matar. xD
Espero que tenham gostado.

 
 

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