Eles estavam correndo por um corredor escuro e estreito, enquanto feitiços eram atirados por vários lados atrás deles. Mas por sorte, nenhum acertou, talvez fosse a escuridão que estava os ajudando. Corriam como podiam. Estavam lado a lado. Conforme iam atravessando o corredor, iam avistando o final dele. O problema era que não havia nenhuma porta, nenhuma alavanca, nada que pudesse abrir uma passagem.
- E agora? O que faremos? Não tem nenhuma passagem. Não tem como escapar daqui! – disse Gina com o ar que restara em seus pulmões, pois estava correndo muito. Draco parecia que nem tinha escutado, continuava a correr como se nada tivesse acontecido. Ela não entendia o por quê dele estar tão calmo, mas o seguiu.
- Draco Malfoy. – foi a única coisa que ele finalmente havia dito. Gina não entendeu. Por que ele tinha dito o seu nome? Ela não era burra, sabia que o nome dele era esse. Mas ao olhar para frente, viu que a parede tinha desaparecido ao ele dizer seu nome. Era uma passagem secreta, que só abria para quem a conhecia ou quem era autorizado.
Quando a passagem se abriu, correram como nunca, pois os comensais estavam bem atrás e um dos feitiços deles havia chegado bem perto. Ao atravessarem, a parede novamente se tornou normal, como se não tivesse saído de lá em nenhum momento. No entanto, os comensais estavam por perto, e logo eles abririam aquela passagem de novo e iriam atrás deles.
O novo lugar também estava escuro, mas era apenas uma pequena sala, sem grandes decorações. Não havia quase nada lá, a não ser uma mesa e uma cadeira. Ao lado dessas, tinha uma escada pregada na parede e em cima, um teto falso.
- Vamos Weasley, por aqui, antes que eles nos alcancem. – disse Draco correndo para a escada e começou a subir. Sem dizer nada Gina o seguiu, afinal, ele era o único que conhecia melhor aquele lugar.
Malfoy pegou sua varinha e falou um feitiço para abrir passagem. Logo, ele havia passado. Esperou algum tempo e Gina também tinha passado. Ele fechou rapidamente o alçapão e ouviu vozes. Os comensais já estavam na sala debaixo. Se eles não fossem rápidos o bastante, seriam pegos. A nova sala onde estavam, não era diferente da outra, a única diferença era que existiam quatro portas para saírem de lá. Draco não conhecia aquele lugar direito, mas não falava, era orgulhoso demais para admitir que não sabia onde estavam. Olhou para frente e examinou cada uma durante um segundo, logo escolheu qual deveria ir. A segunda porta da esquerda para a direita.
Sem dizer mais nada, ele entrou por essa porta junto com a pessoa que não se separava dele. Outro corredor escuro, vazio e monótono. Eles continuavam a correr por ele. Aquelas quatro portas, com certeza, iriam fazer com que os comensais demorassem um pouco mais a encontrarem a verdadeira porta.
Gina queria esclarecer uma dúvida, mas tinha medo da resposta que poderia ouvir. Estava assustada demais com toda aquela correria. No entanto, sua curiosidade foi maior.
- Por favor, Malfoy, diga que você sabe onde está exatamente indo. – disse ela mais implorando do que pedindo.
- É claro que eu sei, Weasley. E não reclame que está cansada, por que eu, definitivamente, não vou esperar à senhora descansar. – ele disse ironicamente.
- Eu nem pensei numa coisa dessas.
- Não, imagina. – disse ele sem olhar para ela. Corriam, não podiam perder tempo, e quanto menos falassem um com outro, melhor seria. Assim, não desfrutariam do enorme "prazer" que tinham um do outro.
Logo chegaram ao final do corredor. Mas havia dois lugares que eles poderiam ir, para a direita e para a esquerda. Malfoy, sem perder tempo, escolheu logo a porta da direita.
- Como você sabe que é por aqui? – Gina perguntou.
- Intuição.
Seguiram por esse caminho, mas conforme continuavam, um cheiro de morte entrava em suas narinas, deixando-os enjoados. Mas não havia como voltar, os comensais poderiam pegá-los.
Logo, eles chegaram em um amplo salão. Era enorme, tanto em tamanho, como em comprimento. Malfoy finalmente resolveu usar a luz da varinha, agora eles estavam um pouco longe dos comensais e estes não poderiam vê-los com a luz. Olharam admirados aquele lugar. Como poderia ser tão majestoso e tão belo? Era tão grande. Dessa vez, eles andaram. Claro, Draco ia à frente, sempre em alerta. Gina ia atrás contemplando o salão.
- O que será que deve ter sido isso daqui antes? Será que muita gente o usava? – perguntou Gina.
- Provavelmente sim. Mas não fique contemplando este salão. Sinto que tem alguma coisa nos observando. Preste atenção aonde pisa, e principalmente, preste atenção em qualquer barulho. Fique em silêncio até atravessarmos esse lugar.
Pela voz do Malfoy, ela julgou que realmente havia alguma coisa errada. Ele estava bastante calmo, mas estava ansioso pelo que aconteceria. Ela o observou tentando descobrir o por quê dele estar daquele jeito, e o que ele estava esperando. Mas não conseguiu nada. Ele era bastante calmo, não dava pra sentir o que estava sentindo, se estava ou não preocupado.
Em um certo ponto, ele teve que usar mais luz, pois a escuridão era intensa. Agora só conseguiam ver onde estavam, e por terem percorrido durante muito tempo, julgavam que estavam no final do salão. Até aquele momento, não tinha acontecido nada. Draco poderia estar errado.
- Acho que você estava errad... – Gina não pôde terminar a sua frase, pois um tremor começou a percorrer todo o salão. Ela imediatamente se pôs ao lado dele. Draco tentou enxergar o que estava acontecendo, mas não conseguiu, a escuridão era maior do que a sua pequena luz. Ele resolveu, que estava na hora de usar um bom feitiço.
Da sua varinha saiu uma enorme bola de luz, e foi subindo rapidamente até o alto do salão. Realmente aquele salão era enorme. Logo, tudo foi iluminado, e eles puderam ver que ainda estavam no meio dele. Havia ainda muita coisa a ser percorrida.
O tremor não parava. Ficava cada vez mais intenso. Eles estavam ficando temerosos e desesperados. Gina já estava aflita com aquilo tudo. Seu coração pulava tanto que ela tinha medo que estivesse fazendo barulho. No entanto, havia um silêncio absoluto, a não ser o tremor que continuava a rugir como se tivesse vida própria. Sua respiração era pesada. Tinha medo. Tinha medo de que algo terrivelmente feio e nojento se colocasse em sua frente.
- Vamos sair logo daqui. Não podemos ficar presos de jeito nenhum se realmente tiver alguma coisa aqui. – disse Draco que começou a correr feito um louco para o final do salão. Gina o acompanhou correndo. Estava com medo. O tremor continuava.
Havia alguma coisa amaldiçoada naquele salão. Tinham que correr antes que fossem pegos. De repente, na frente deles o chão começou a se abrir. De dentro estava saindo uma mão. Mas não era uma mão qualquer. Não havia pele, apenas ossos. Parecia um demônio que saia do inferno para perturbá-los. Gina deu um grito e se colocou ao lado de Draco. Este apenas estava pensando. Então, finalmente, ele se lembrou.
- Eu conheço este lugar! Se chama O Salão Negro. Há aqui maldições. Esse salão antigamente, era o mais cobiçado e o mais imponente que existia. Entretanto, por ambições dos bruxos que aqui viviam, foram condenados a uma terrível maldição. A de sempre perambular por esse salão. Foram os Quatro Grandes Fundadores que fizeram isso. Mas eu pensei que fosse apenas uma lenda. O problema era que eram muitos bruxos, e se todos estiverem aqui, estaremos enrascados. Vamos sair daqui.
Ao dizer isso, ele correu muito. Não estava disposto a ter que lutar, mas se precisasse, faria isso. Gina ao ouvir a história, seu medo se transformou em pavor. Tudo o que ela não precisava agora era de um bando de zumbis no seu pé tentando matá-la. Mas não havia como correr mais, pois de vários pontos do salão saíam esses corpos. Com roupas rasgadas. Sem olhos e sedentos de sangue. Alguns tinham espadas nas mãos, outros tinham arcos e flechas. Seria uma longa batalha.
Tudo começou muito rápido. Malfoy já estava agindo rapidamente, e atirou em um dos mortos a sua frente um feitiço. Este se dissipou em pó. Como ele estava com uma espada na mão, Draco não hesitou e pegou-a caso fosse necessário. Eram muitos e eles já estavam indo em direção dos dois, com passos pequenos, urrando. Gina estava ainda paralisada diante de tal cena. Era um verdadeiro filme de terror. Aquilo era muito assustador, eram horríveis de se encarar. Mas precisava ter força, precisava ter coragem para conseguir sair viva de lá. Afinal, ela era da Grifinória.
Draco não ficou parado. Ele lutava contra todos aqueles que apareciam em seu caminho. Em sua mão direita estava a espada, e na esquerda estava a varinha. Ele era rápido e sabia o que estava fazendo. Gina o olhou. Ele estava lutando com todas as forças que tinha. Reparou que ele era bom com a espada, devia ter aprendido com alguém realmente bom. Estava enfrentando muitos de uma vez. Enquanto ele atacava um com a espada, murmurava feitiços com a varinha. Às vezes dava chutes e murros nos outros. Sua expressão era de determinação, não iria se assustar com pessoas que já estavam mortas.
Ele era muito bom, não havia como negar. Estava derrubando vários deles. Mas Gina não pôde mais reparar nisso, pois um dos zumbis estava na sua frente, enquanto ela tentava ir pra trás. Seus pés pareciam presos ao chão. Estava com medo. Ele estava na sua frente, pronto para matá-la. Ela precisava fazer alguma coisa, mas não conseguia. Ele estendeu sua mão feia, sem pele para tocar o rosto dela.
Gina ia se enchendo de nojo ao ele se aproximar, mas não conseguia fazer nada. O cheiro dele era horrível, isso estava fazendo com que ela ficasse enjoada e tonta. Esperando já pelo seu fim, fechou os olhos, apenas esperando sua morte. Mas estava demorando, ele não estava tão longe dela, poderia facilmente matá-la. Então, conseguindo coragem para abrir seus olhos mais uma vez, pra ver de novo toda aquela cena de luta, aquela cena de podridão e de coisas horríveis, ela abriu os olhos.
Draco estava na sua frente com a espada enfiada no monstro. Este se desfez em pó. Malfoy girou a espada em sua mão, ficando alerta novamente. O coração de Gina estava descompassado. Não conseguia se acalmar e sua respiração estava bastante ofegante.
- Se você não lutar, vai morrer aqui. – Draco disse de costas sem se virar para ela. Estava ocupado murmurando feitiços.
Mas apesar de tudo, como ele estava perto dela, ela pôde sentir o cheiro dele. Era forte e tão inebriante o cheiro. Era a única coisa boa que tinha sentido até aquele momento. Ele não percebeu o que ela estava fazendo, pois logo teve que se defender de uma flecha.
Agora os zumbis estavam atirando flechas. Tinha que se defender de alguma forma. Malfoy colocou um feitiço protetor, mas logo ele iria desaparecer, tinham que ser rápidos. Mesmo assim, ele continuava a duelar com aquelas criaturas, apenas com a sua varinha, já que estava com o feitiço protetor e Gina também. Draco olhou para a parte de cima do salão e viu uma luz verde, distante. Poderia ser apenas um vislumbre ou então eram somente os zumbis que estavam renascendo novamente.
Gina finalmente havia acordado, e agora estava também murmurando feitiços. Os dois formavam uma boa dupla, estavam acabando com vários. Mas na parte de cima do salão, apareceram mais zumbis. Todos estavam atirando flechas contra eles. Então, começaram a correr lado a lado para fora daquele salão. Quando eles estavam lutando, não tinham percebido que tinham avançado muito, mas agora estavam bem perto do final. O feitiço estava se acabando, se eles não corressem mais rápido, não conseguiriam chegar lá.
Mais zumbis começavam a aparecer, e eles iam lutando. Flechas zuniam em cima de suas cabeças. Estavam próximos do final. O feitiço estava se acabando. Eles iriam conseguir. Faltava pouco, pouco. Então, quando eles iam atravessar o portão do final do salão, o feitiço havia acabado. Uma das flechas acertou o ombro de Draco, no entanto, ele não gritou. Apenas fez uma expressão de dor. Gina não percebeu nada. Ela ficou lançando feitiços para que o portão se mexesse para fechar, já que este era enorme e de ferro. Malfoy ajudou, e quando conseguiram, trancaram aquele maldito portão para nunca mais voltarem àquele lugar amaldiçoado e maldito.
Draco estava sentindo dor. Depois de fechar aquele portão, ele se sentou exausto. Com um pouco de dificuldade tirou a flecha do ombro direito. Jogou- a longe. Como eles ousaram feri-lo? Ainda bem que eles estavam mortos, porque se não estivessem, com certeza, Draco teria matado todos por terem o ferido. Estava cansado, tinha lutado contra vários daqueles idiotas, e tinha acabado com vários. Suava um pouco. Seus cabelos soltos, estavam batendo em seus olhos. Tentava respirar como precisava, mas estava difícil.
Gina não tinha percebido até então que ele estava ferido. Pensou que ele estivesse sentado apenas por estar exausto. Foi quando viu sangue no ombro dele. Ela, imediatamente se preocupou um pouco, afinal, apesar de tudo, ele tinha salvo a vida dela já duas vezes.
- Deixe-me ver seu ferimento. – disse ela fazendo menção de se aproximar.
- Não preciso de sua ajuda, posso muito bem cuidar de mim mesmo. – respondeu ele rudemente.
- "timo, assim você me poupa o trabalho de te ajudar.
- "timo, assim você me poupa o trabalho de não ter que vomitar com você perto de mim. – ao responder isso, fez um feitiço e logo estava todo limpo sem o ferimento.
- Você é muito idiota e insensível. Eu só estava tentando te ajudar.
- E você é uma pirralha muito intrometida. Por acaso, eu pedi a sua ajuda em algum momento?
- Não, mas...
- Então pronto!
É, ele realmente a deixava irritada. Como ele podia ser tão petulante? Ela só queria ajudá-lo.
"Gina lembre-se de uma coisa: não importa o que vocês passem, ele sempre vai ser um Malfoy, e esse fato nunca vai mudar. Ele é arrogante, metido, e chato! Não dê mais atenção a ele. Fica aí perdendo seu tempo! Não, você tem que pensar em como sair de tudo isso e voltar para Hogwarts. É, é isso que você tem que pensar."
"Ora, mas que garota intrometida. Eu não pedi ajuda dela, então ela que não viesse. Ora, ela é muito chata! Eu devia ter deixado-a morrer lá. Fico aqui perdendo meu tempo com besteiras daquela Weasley. E por que eu tou pensando nela? Eu tenho mais o que fazer, como por exemplo, pensar num plano pra conseguir tudo o que eu quero." Pensava Draco.
De repente, eles começaram a ouvir batidas. Os zumbis estavam tentando abrir aquela porta. Malfoy rapidamente se levantou. Tinham que continuar a fugir, antes que os comensais ou aquelas coisas fossem atrás deles.
- Vamos. – foi a única coisa que ele disse depois da discussão. Gina, mesmo com raiva, resolveu segui-lo.
Começaram a correr de novo. Havia um outro corredor. E como os outros, era escuro. Eles ouviram um grande barulho, julgaram ser os zumbis que haviam conseguido abrir o majestoso portão, de alguma forma. Mas eles estavam bastante longe daqueles negócios sem pele, sem rosto, sem forma. No entanto, como corriam muito, não notaram que havia um chão falso. Só foram perceber quando haviam caído naquele buraco.
Gina e Draco caíam cada vez mais, e ela começou a se desesperar. Gritava cada vez mais e mais. Seus pulmões já estavam explodindo de tamanha força que gritava. Draco, apenas se irritava mais com aquela situação, aquela gritaria toda. Já estava no ponto de começar a esgoelar aquela garota. Seus cabelos devido ao vento forte estavam sacudindo rapidamente. Suas roupas e sua capa também. Como Gina estava apavorada demais, ela começou a sacudir as suas mãos agitadamente para todos os lados. Foi quando sua mão se encontrou com alguma coisa que pudesse segurar. Parecia ser um cipó ou algo do tipo. O importante é que ela tinha conseguido segurar.
Para a sorte de Draco, como ele havia ficado com muita raiva daquela insuportável, e pior, escandalosa; ele havia levantado suas mãos para colocar no pescoço dela e começar a esganá-la, pois talvez assim ela parasse de gritar. Foi no exato momento que ela encontrou algo para se segurar. Ao encostar sua mão perto dela, ela parou, de repente, no ar, como se fosse segurada por alguma coisa. A mão de Draco vacilou, o que fez com que ele só conseguisse se segurar nela, pela mão da garota que ele encontrou solta.
Com a força do corpo do Malfoy, a mão de Gina que segurava o cipó, vacilou um pouco fazendo com que bambeassem, mas logo se recuperaram de novo. Assim, eles estavam pendurados um no outro. Agora a vida de Draco estava dependendo da força, da esperteza, estava dependendo do que a Weasley iria fazer. É, o mundo dá voltas mesmo!
Mesmo doendo, Gina tinha que continuar a segurar Draco. Afinal, ele tinha salvo sua vida duas vezes e ela nenhuma, assim pelo menos, iria diminuir um pouco o favor que tinha que pagar.
- Segure-se firme. – ela disse.
- É o que eu estou tentando fazer. – respondeu ele rispidamente.
E agora? O que iriam fazer? Tinham caído de uma altura razoavelmente alta, e estavam dependendo de um cipó que podia arrebentar a qualquer hora. Como iriam fazer pra saírem de lá com vida? Foi então, no desespero desses pensamentos que Gina viu em sua frente, uma abertura. Não era muito grande, é verdade, mas daria pros dois passarem por lá sem grande dificuldade. O problema é que estava um pouco distante. Mas se balançassem e se jogassem, daria.
- Malfoy, veja aquela abertura na minha frente. – ela disse olhando pra abertura.
- "timo, podemos sair por ali. Tente balançar. Quando eu estiver perto irei pular.
- Ok. – ela disse começando a se balançar. O problema é que tanto sua mão que estava segurando o cipó quanto sua mão que estava segurando Draco, estavam doendo. Mesmo assim, tentou se balançar sem reclamar. Malfoy estava quase lá, só precisava de um pouco mais de força. Mas a mão de Gina começou a sangrar, estava doendo muito. – Malfoy, por favor pule logo, minha está doendo e está sangrando. – disse ela segurando a vontade de gritar de dor.
- Não me apresse Weasley. – ele era mesmo muito hipócrita e sem educação. Ela estava salvando a vida dele e sua mão estava sangrando, mas ele não estava nem aí. Ele era muito insensível e sem sentimentos. Uma pessoa fria, ranzinza, reclamona, chata, imbecil, idiota, e tudo mais de ruim que se podia pensar.
Foi nesse momento que Draco pulou. Ele conseguiu se segurar na abertura, com um pouco de força e esforço ele entrou. Mas Gina continuava lá com a mão sangrando. Agora com a outra mão livre, segurou o cipó com as duas mãos. Pronto, só faltava ela agora começar a se balançar e pular pra chegar à abertura. Mas estava longe, e estava com medo de cair. Malfoy não iria fazer nada pra que ela não caísse. Será que deveria confiar sua vida mais uma vez àquele ingrato que só visava os seus próprios lucros? Agora não tinha mais jeito. Ela estava lá por causa dele. Ele podia tê-la deixado morrer, mas não, a ajudou. Sim, ela devia sua vida a ele, e deveria mais uma vez.
Ela se balançou com força. Mas algo fez com que desviasse sua atenção da abertura, de Draco. Primeiro ela escutou um chiado, contudo não devia ser nada. Depois escutou vários de uma vez, então olhou para o cipó que estava segurando. Levou um susto tão grande que fez com que ela gritasse. Malfoy ao escutar o seu grito olhou também para o cipó. Ele havia se transformado numa cobra. Gina estava segurando o rabo de uma cobra gigantesca. Ela facilmente poderia ser estrangulada, amassada e comida por aquela cobra tão soberba.
Mas não havia só ela, começaram a aparecer mais. De onde todas aquelas coisas tinham saído? Devia ser magia. Só podia ser. Estavam num local onde pairava a magia negra. E pra piorar a situação, os zumbis que antes eles haviam enfrentado haviam aparecido lá em cima no buraco que tinham caído. E como eles estavam mortos mesmo, começaram a se jogar dentro do buraco.
Então, tentando não cair em desespero e tentando acalmar um pouco seu coração, parar de sentir medo, parar de respirar aceleradamente, ela continuou balançando. Se fosse rápida o bastante conseguiria sair de lá viva. E no momento que ela se jogou, um dos zumbis pulou lá de cima e segurou seu pé, isso fez com que perdesse um pouco de equilíbrio e um pouco de velocidade. A sorte dela foi que Malfoy, prevendo o que aconteceria agiu rapidamente segurando-a com as duas mãos. Não daria para usar sua varinha, estava ocupado demais tentando não deixá-la cair. Gina estava sentindo um grande nojo daquela coisa segurando o seu pé, daquela coisa feia e fedida.
Mas então, a cobra que ela estava segurando, finalmente achou que o momento era pra dar o seu bote letal e fatal. Com uma força medonha ela se jogou e mordeu a coisa que estava no pé de Gina. Com toda a sua força de cobra, mordeu e enrolou sua calda em volta do zumbi, este não agüentou a força e se desfez. A cobra que estava enrolada caiu. Mas havia mais lá. Era o momento propício para Gina tentar escapar. Draco de uma vez puxou-a com toda sua força. Ela com um pouco de esforço conseguiu finalmente pular para dentro da abertura. Foi quando o inevitável aconteceu...
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Eles continuaram a correr. Não podiam perder tempo. Haviam conseguido fugir de toda aquela situação, mas a sorte não estaria sorrindo todo o tempo pra eles. Teriam que ser rápidos se quisessem sair de lá com vida. A abertura pela qual haviam entrado era um pouco estreita, mas conforme avançavam ela ia se tornando grande e espaçosa. Já estavam correndo a um bom tempo, mas parecia que não tinha fim, que o fim não existia naquele maldito lugar cheio de maldições e encantamentos difíceis e nojentos.
Gina não estava se sentindo bem. Estava começando a suar muito, sem conseguir respirar direito, como se o ar estivesse faltando em seus pulmões. Suas forças foram cedendo. Foi dando uma moleza, uma fraqueza. De repente, sua boca começou a salivar, estava com ânsia de vômito. Alguma coisa tinha acontecido com ela. Tentava, tentava, sua força de vontade queria continuar correndo, queria continuar tentando sair de lá. Seu cérebro forçava suas pernas a correrem, mandavam, imploravam, pediam, mas não estava dando certo. Suas pernas, não agüentando mais, cederam e ela caiu sentada no chão.
Um cansaço tomou conta de todo o corpo de Gina. Ela não conseguia, nem se quisesse, se levantar de lá. Sentada no chão, tentava fazer sua respiração voltar ao normal, mas não estava dando certo. Alguma coisa havia acontecido, mas ela não sabia o que era, até olhar para sua perna direita, o calcanhar...
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Draco continuava a correr, parecia que aquele corredor não tinha um fim. Então, começou a ouvir da garota que estava atrás dele, a sua respiração forte. Ele sentiu pelo jeito que ela se encontrava, que estava tendo dificuldades em respirar direito. Mas não ia parar de jeito nenhum para esperar que ela descansasse, tinha mais coisa a fazer. Ele a olhou pelo canto do olhou, e viu que ela parecia estar muito cansada. Ela foi perdendo a cor que havia em sua face, estava pálida, da cor do papel. Estava suando muito mais do que devia, seus cabelos grudavam em seu rosto molhado de suor. Foi diminuindo o ritmo de correr. Até que caiu no chão.
No mesmo momento, ele parou de correr. Estava perdendo a paciência com aquela imbecil. Foi em direção a ela, e então falou do seu jeito super "educado" e com muito "cuidado".
- Não tenho tempo pra ficar esperando Vossa Majestade descansar. – ele disse ironicamente.
- Eu... até que, que queria continuar. – parou ela tentando recuperar o ar – mas eu... eu não consigo mais... correr. – falou num sussurro. Era difícil falar.
Draco tinha que reconhecer que ela estava passando mal. Mais uma pra ele ter que aturar. Já não bastava estar fugindo do seu próprio pai, de ter lutado contra um bando de zumbis, de ter sido ferido por aqueles idiotas, de ter deixado que sua vida dependesse daquela garota? Não! Parecia que não! Agora teria que aturar uma doente. Isso era demais pra ele.
- O que aconteceu? – perguntou ele nem um pouco interessado na resposta.
- Eu acho... acho... que fui mordida... por alguma cobr... cobra. Na minha perna... direit... a.
Draco olhou a perna dela direita. Sim, ela havia sido mordida por uma daquelas cobras. O veneno poderia estar circulando pelo seu corpo inteiro. Pronto, era tudo o que ele precisava! Agora teria que correr contra o tempo pra poder salvar aquela Weasley.
"Droga, eu só estou fazendo isso porque eu preciso dela para não morrer, só por isso. É como se fosse uma garantia, ela é minha garantia. Aiiiiii, não acredito que eu vou ter que fazer isso! Eu podia muito bem ter ficado quieto na minha, mas não, eu tinha que ter ficado com raiva do meu pai! Agora eu to aqui com essa coisa passando mal, e eu mais uma vez vou ter que salvar a vida dela. Acho que vou começar a cobrar por cada vez que eu a salvo. Se bem que, se continuar assim, a família dela, que já tem ótimas economias, vai falir. Se é que já não faliu!"É, até num momento desses, Draco não poderia perder a sua chance de pensar mal dos Weasleys. Mas então, uma súbita raiva tomou conta do Malfoy. Como ela podia ser tão burra a ponto de não ter sentido que alguma cobra tinha mordido a sua perna?
- Você por acaso não tinha sentido que algo havia a picado? – perguntou ele tentando se controlar e não começar a esganá-la.
- Eu... não. Estava tudo... já tão con... confuso, tanta correria... que eu... não havia percebido. – ela tentou se explicar. Mas estava com vergonha. Havia sido uma completa idiota não percebendo que algo havia picado sua perna. Ela, pra falar a verdade, havia sentido algo em sua perna, mas pensou que não tinha sido nada de tão importante.
- "timo, era tudo o que eu precisava! É, o que eu podia esperar de uma Weasley mesmo?
- Não... precisa ofender. Eu... apenas não tinha reparado, afinal... – mas não pôde mais continuar, pois havia se esforçado e isso estava fazendo com que ficasse mais cansada.
Sentiu-se tonta, sua visão estava turva. Tossiu, tossiu muito. Seu pulmão parecia querer sair do seu peito. Tossiu tanto, que sua garganta começou a querer sangrar. Já estava sem ar, agora tossindo é que não conseguia respirar direito. Tentava, com esforço, respirar, mas não conseguia. Pensou que iria desmaiar a qualquer momento. Estava ficando desesperada. Seu pulmão estava implorando por ar. Então, finalmente, parou de tossir. No entanto, o esforço tinha sido tanto, que ela perdeu a última força que tinha e caiu deitada. Estava tão cansada que não conseguia nem abrir seus olhos direito.
Draco começava a ficar agoniado vendo ela naquele estado. Era horrível ver alguém que tentava parar de tossir e ao mesmo tempo tentava respirar. Decidiu que era hora de fazer algo antes que ela começasse a querer vomitar lá. Seria extremamente nojento e horrível. Mas só conhecia uma poção para fazer a cura. Snape havia ensinado ano passado para ele. Teria que conseguir um caldeirão e alguns ingredientes. Não seria fácil, é verdade, mas deveria ter alguma coisa lá parecida. Afinal, aquele era a base dos comensais da morte. Deveria ter em algum lugar um laboratório onde poderia ser feito o feitiço, afinal, aquele local era perigoso e com certeza eles não seriam burros a ponto de deixarem os comensais morrerem por tão pouco.
Levitou-a. Teria que mantê-la acordada. Mas isso não significava que não poderia dar alguns insultos a sua família ou até quem sabe ao querido Harry Potter. Arght! Só de pensar naquele cicatriz, Draco tinha enjôos.
Pronto, agora com Gina parada no ar, estava na hora de começar voltar a correr. Enquanto corria, Malfoy tentava mantê-la acordada, falando muitas idiotices, mas o que ele mais falava eram insultos a ela e a sua família.
- E então, Weasley? Como anda sua família? Pobre como sempre? É claro, isso é óbvio, afinal de contas, vocês são os Weasleys, nunca deixarão de serem pobres. A propósito, como vai o casal Weasley? Ainda querendo fazer sucesso com aquelas idiotices ou bugigangas que eles chamam de obra-de-arte? Realmente, eles têm péssimo gosto, tanto para escolher os nomes daquelas geringonças quanto pro que elas servem.
- Malfoy... cof, cof. Cala a boca!
- Nossa, até quando você está para morrer é extremamente irritante.
- Obrigada... pela parte cof, cof, que me toca.
- Disponha, estou aqui para insultá-la.
E assim foi até encontrarem uma porta. Esta era toda ornamentada em ouro. Era tão brilhante, tão misteriosa, mas ao mesmo tempo tão apavorante. Era sem dúvida uma bela porta. Trabalhada nos mínimos detalhes, onde tudo tinha sido geometricamente calculado, trabalhada por mãos humanas, mas habilidosas. Uma porta sublime e magicamente perfeita. Sim, havia um encantamento lá, eles podiam sentir tamanho poder. Mas deveria ter alguma coisa ruim atrás daquela porta. Afinal, eles sentiam a magia que esta continha. Algo tinha atrás de toda aquele ouro polido e trabalhado. Mas o quê? Eles não faziam idéia.
No entanto, só havia aquela saída. Só existia a possibilidade de entrarem naquela porta ou então voltarem para o outro salão. Embora, definitivamente, eles não queriam nunca mais voltar para aquele maldito lugar, onde tudo era feio e grotesco. Arrependeram-se de terem achado aquele lugar lindo, pois não era. Poderia ser a mesma coisa com a porta à frente deles. Por fora era linda e exuberante, mas por dentro... deveria conter algo terrível, deveria conter algo inimaginável. Mas eles não sabiam o que era. Portanto, tinham que arriscar, era o único modo, ou então voltavam tudo o que tinham avançado, mas isso estava fora de cogitação.
Draco se aproximou do portão. Haviam escritas. Ele não sabia o que significavam. Eram estranhas, pareciam apenas rascunhos. Mas não eram. Cada letra, cada linha brilhava de uma forma maravilhosa. No meio da porta, havia um desenho. Era estranho, no entanto, bonito. Havia uma espada, uma varinha, uma flecha, uma espada de espadachim e uma pequena luva. Estes desenhos formavam um círculo. No meio deste círculo, existia uma pequena flor, delicada e bela, mas acompanhada desta, havia espinhos. Espinhos traiçoeiros.
Contudo, Draco não podia perder tempo tentando decifrar o que tudo aquilo significava. Tinha que agir logo antes que Gina começasse a não agüentar mais. Sem pensar em mais nada, ele abriu de uma vez a porta. Não queria saber o que havia lá dentro. O que queria era sair logo daquele lugar traiçoeiro e horroroso. Daquele lugar fétido e morto. E era isso que ele iria fazer...
Entraram. Estava tudo escuro. Nada, não enxergavam nada. Draco continuava levitando Gina, e esta continuava tentando abrir seus olhos, mas a sua fraqueza não deixava. A porta se fechou com um estrondo. Arranhando. Isso dava mais frio a barriga de Gina. Malfoy não sentia nada, só estava em alerta. Aquele silêncio, aquela monotonia estava aumentando e estava começando a irritar. Não se escutava nada, a não ser a respiração dos dois. Vazio. Aquele lugar estava vazio. Só podia ser.
E então, no exato momento que Draco resolveu parar de levitar Gina e usar um feitiço de luz; tudo ascendeu. Pronto, aquilo era um jogo onde tudo dava voltas, onde tudo podia acontecer. Mas então, o que viria a seguir?
Nada. Continuava a mesma monotonia. A luz era forte, dava para ver os mínimos detalhes daquele lugar, ou melhor, daquela sala que era redonda. E a decoração da sala, o papel de parede, era toda feita de espelhos. Espelhos grandes estavam nas paredes. Não havia um lugar sem espelho. Até no chão. Uma sala onde tudo o que dava para ver era o próprio reflexo do o que via, de todos os ângulos.
Mais do que nunca, Draco aumentou seu senso de alerta. Alguma coisa estava para acontecer, e não deveria ser bom. Estavam presos, como ratos. Isso era o pior. Se acontecesse alguma coisa, não daria para fugirem. Teriam que contar mais uma vez com a sorte.
Esperaram por um tempo. Não havia nada para ser feito. A única coisa que Malfoy pôde fazer naquele momento, foi segurar mais forte a varinha em sua mão. Teria que ser rápido se algo acontecesse, e ele julgava estar preparado para tudo o que viesse. O que ele não contava, o que ele não esperava, era que aquela barreira, aquele obstáculo, seria diferente dos outros. Seria diferente das lutas, seria diferente do que ele julgava.
De repente, do espelho, ou melhor, de todos os espelhos em volta deles, os que eram grandes e como se fossem papéis de parede; saiu a imagem de um mesmo homem. Mas esses não ficaram em pé pisando sobre o mesmo chão que Draco pisava. O homem ficava grudado ao espelho até a metade do corpo, ou seja, a única parte que estava para fora dos espelhos, era da cintura até o topo da cabeça. Eles estavam inclinados horizontalmente. Na mão direita de todos eles estava uma faca. Diante de tal ameaça, Malfoy apontou a varinha para frente. Mas havia tantos deles, como poderia lutar contra todos? Teria que esperar pra ver o que poderia acontecer.
Todos os homens, ou melhor, o mesmo homem; estavam sorrindo. Sorrisos melancólicos. E então começaram a falar todos de uma só vez. A mesma voz, o mesmo timbre. Falavam quase cantando, formavam um coro de vozes iguais. Falavam através de poesias. Portanto, Draco teria que prestar mais atenção ao que falavam, pois não podia contar com a inútil da Weasley. E o pior, estava com pressa, afinal, ela estava quase morrendo.
"Sou o guardião da sala dos espelhos
Aquele que sabe como sair
Sim, olhe nos meus olhos
E tente imaginar aquilo que vai vir
O que será?
Algo que você possa imaginar?
Bom, talvez sim
Mas te garanto, terá que pensar
O que será mais fácil?
Pensar ou desistir?
O que você acha mais difícil?
Saber como agir?
Mas ..."- Olha! Eu realmente adoraria ficar escutando por horas essas suas charadas ou rimas, mas estou perdendo a paciência e tenho coisas mais importantes do que ficar prestando atenção aqui em você. Então me faça o favor, já que você é o único que sabe como sair daqui, apenas me diga o que eu devo fazer pra sair daqui. Ok? É muito difícil pra você? – disse Draco que estava começando a perder a única paciência que havia restado. Já estava de saco cheio daquele idiota que só falava idiotices. Afinal, paciência tinha limites e Draco não era bom em saber esperar algo que queria!
"timo, estou vendo que você quer que eu chegue no final..."
Por que não disse antes?
Assim, não perderei o meu tempo com você, o tal
Rico e poderoso, do poder, amante
Você está na sala
Onde o que prevalece
É como você pensa e fala
É ser calmo e de tudo esquece
Vamos ao que interessa:
Para sair dessa sala
Tem que pensar, sem pressa
Em tudo o que for dito
Vamos, preste atenção
Será uma charada, ache o escolhido
Daquela que representa a flor do portão
Se acertar conseguirá o que quer
Mas se errar...
Irá morrer
Esfaqueado, sem ter como parar."Ao falarem isso, os homens abriram mais os sorrisos que tinham e levantaram as facas que cada um continha, razoavelmente grandes para se matar alguém. É, eles não estavam brincando.
Bom, então Draco apenas teria que acertar a charada. Não devia ser muito difícil, afinal ele era Draco Malfoy, não seria uma pequena charada que iria vencê-lo. Já tinha enfrentado muita coisa até ali e agora não iria parar. Teria que prestar muita atenção no que seria dito, tinha que prestar atenção nos mínimos detalhes, pois seria nesses detalhes que estaria a chave para a solução do problema que seria posto para ele.
Estava na hora de demonstrar que ele também era bom em charadas, em raciocinar rápido, em conseguir desvendar qualquer coisa. Bom, era isso que ele achava...
De repente, aquele mesmo homem, ou melhor, "O Guardião da Sala dos Espelhos", sumiu. Voltou de onde tinha saído, ou seja, para dentro daqueles espelhos. Sua imagem desapareceu e mais uma vez a sala ficou vazia. Parada. Monótona. É, era pra perder a paciência mesmo!
Mas, então, finalmente, outra imagem apareceu. Do espelho que estava na frente de Draco, saiu um homem. Mas este, ao contrário do outro, saiu completamente do espelho. Parecia um homem normal, simples e comum como qualquer outro. No entanto, isto se contradizia, pois ele estava vestindo vestes caras e lindas. Suas roupas eram pesadas, ornamentadas em ouro. Havia uma capa preta grande, esta estava presa na frente; estava vestindo uma calça branca e uma blusa cheia de detalhes em ouro. Sim, aparentava ser um homem bastante poderoso, rico e soberbo. Vestes antigas. Era um homem de mais ou menos trinta anos. Bonito. Tinha cabelos castanhos claros, bem curtos, olhos claros. A altura era mais ou menos um metro e oitenta e sete. Era forte. Rosto austero. Corajoso. Olhar de determinação, olhar que impunha poder e respeito, olhar de quem não tinha medo de nada, nem de ninguém.
Havia uma espada em sua mão. Linda, maravilhosa. Era toda trabalhada, toda preparada. Sua lâmina era afiada e majestosa, a imagem de Draco estava sendo refletida nessa lâmina. Sua bainha era trabalhada, cheia de desenhos e magias que podiam se sentir. Uma espada que continha poder. Uma espada que podia se sentir o seu poder, e que podia transmitir medo para pessoas fracas. Malfoy achava estranho o fato dele estar conseguindo sentir o poder de ambas as coisas. Afinal, só se sabia se um objeto continha magia se fosse testado. Mas ele sentia, não sabia como, só sabia que conseguia sentir o poder das coisas, dos objetos. Ele começou a perceber que podia sentir quando havia começado a fugir, depois sentiu os poderes que continham atrás das portas, dos objetos, enfim. Mas ele naquele momento, tinha que se preocupar com coisas muito mais importantes.
O homem olhava para Draco diretamente em seus olhos. Eles eram da mesma altura. No entanto, apesar de toda a sua aparência de elegância e de dar medo, Malfoy não estava se sentindo intimidado. Ao contrário, ele também mantinha uma pose majestosa. Ele não deixaria que sua pose de maioral fosse estragada por aquele homem que provavelmente era apenas uma visão ou alguma coisa do tipo.
Quando esse homem apareceu, Gina sentiu a presença forte que este emanava, transmitia. Tentou abrir os olhos, precisava ver quem era dono de todo aquele poder. Então, querendo como nunca, ela abriu seus olhos e o olhou. Lindo! Simplesmente maravilhoso.
Então, seguindo o olhar deste homem, ela viu Draco parado o encarando de volta. Eram totalmente diferentes. Malfoy só era uma criança perto daquele rosto desconhecido, mas o encarava com o mesmo poder que o outro continha. Duas beldades estavam em sua frente. Até aquele momento, ela não tinha percebido o quanto Draco aparentava ser forte e digno de respeito. Um verdadeiro homem. Reparou naquele momento e aquela imagem nunca saiu de sua mente. Estava gravada para sempre. A imagem de um garoto se tornando um homem. De um garoto lindo e tão incompreendido.
Estava mais sensível que antes, pois estava sentindo uma grande dor em seu peito, um grande cansaço. Era o veneno. Estava começando a se espalhar por todo o seu corpo. Mas de certa forma, aquilo foi bom por ter acontecido, pois assim, conseguiu perceber que Draco não era só um chato, arrogante e metido; mas sim, um Draco que podia encarar um outro homem sem ter medo do que este poderia fazer.
Não demorou muito para do espelho ao lado do Malfoy, sair um outro homem. Mas era idêntico ao que havia acabado de sair. Que brincadeira era aquela? Este era exatamente igual ao outro, como se fosse o seu clone. No entanto, apesar de serem extremamente parecidos, havia algo que se modificava e destacava: o olhar. Este olhar não era tão determinado quanto o outro. Era mais triste, mais sofrido, mais consumido pelo cansaço. Como se tivesse perdido uma das coisas mais importantes que existia pra ele. Era estranho. O olhar era vazio e perdido, parecia estar longe. Pensando em algo antigo e triste.
Mas Draco não percebeu isso, ele era muito insensível pra conseguir entender o que um olhar podia significar, podia demonstrar e podia se fazer diferenciar. No entanto, mesmo estando cansada, Gina queria continuar prestando atenção ao que aconteceria, por isso estava fazendo de tudo para continuar acordada. Ela olhou o novo homem que havia se posto ao seu lado. Ela sim, pôde sentir o olhar dele, pôde sentir um olhar muito triste. Seus olhos pareciam estar escuros, como se estivessem carregando um peso muito grande em sua consciência ou em sua lembrança ou memória.
O que seria? Deveria ser muito grande a tristeza que ele havia passado quando vivo para estar com aqueles olhos tão perdidos. Gina era curiosa, e seu senso de curiosidade aumentou querendo saber o que tinha acontecido. Seria melhor esperar pra ver o que poderia acontecer.
Logo, outro apareceu do lado esquerdo deles. Exatamente igual. Outro clone havia aparecido. Mas diferente dos outros dois, este parecia ser mais brincalhão, ser mais alegre. No entanto, também dava para ver que não era tão feliz assim. E apareceu mais um, dessa vez atrás deles. Tudo igual. Logo, apareceu mais um. No total, eram cinco clones.
Os cinco se colocaram em volta de Draco e Gina. Assim formaram um círculo onde no centro estavam aquelas duas pessoas tão contrárias. Malfoy com seus olhos, avaliaram a situação: estava num lugar onde não conhecia, com uma Weasley morrendo, com cinco pessoas que não viviam ao seu redor, e o pior, esperando para responder uma charada. É, sua situação não estava lá essas coisas!
Então os cinco falaram ao mesmo tempo. Vozes poderosas e imponentes. Vozes que transmitiam medo, fortes, graves. Como se conseguisse arrancar o último dos últimos segredos que cada um continha. Formavam um coro de vozes masculinas, fortes e poderosas. Um coro que estava fazendo com que Gina arrepiasse até o último fio de cabelo que ela tinha. Mas Draco não, um Malfoy nunca tinha medo. Não podia sentir medo, pelo menos, em sua cabeça, ou melhor, em sua ignorância, era isso que ele achava.
"A história de nossas vidas
Será a charada que terá de acertar
Nossas versões foram ouvidas
Por muitos que, em vão, tentaram decifrar
Mas muitos fracassaram
Muitos morreram
Muito tempo passaram
E então, deles todos esqueceram
Cremos que com vocês
Não será diferente
Afinal, tentarão decifrar os por quês
Daqueles que há mui morreram simplesmente
A história é um pouco complicada
Com um final triste
Nossa vida foi bastante calculada
Pra um futuro que nem sequer existe
Assim caminhamos
Aqui
Continuamos
Sem ter pra onde ir
Com nossos lamentos
Aborrecidos
Com nossos sofrimentos
Há mui esquecidos."Assim, eles pararam de falar. Graves, eram as suas vozes iguais. Roucas e disformes. Draco estava prestando atenção, afinal, a charada seria aquela. Mas estava ficando muito entediado com tudo aquilo. Aqueles caras eram muito monótonos, parados. Sempre escondendo os segredos. Eram misteriosos demais para Malfoy. Então, um deles continuou, o que estava na frente de Draco.
"Nós cinco éramos amigos desde criança
Éramos inseparáveis
Passamos todo tempo juntos em nossa infância
Com pequenas travessuras agradáveis
Bons tempos aqueles
Sem dúvida.
Mas por decisões deles,
Dos nossos pais, cada um seguiu sua vida.Este parou, e outro continuou.
"Muito tempo se passou
Desde a nossa separação
Mas o destino nos juntou
E voltamos a ser irmãos de alma e coração
No entanto, por termos crescidos separados
Tudo mudou, todos mudaram
Nós não éramos mais unidos, amarrados
Éramos pessoas comuns, que nunca amaram"Novamente a narração parou para ser continuada por outro.
"Cada um seguia seu próprio interesse
Não colocando mais a amizade em primeiro lugar
Mas sim aquilo que viesse
Para a nossa economia aumentar
Então, finalmente aconteceu
O que não era pra acontecer
Nosso coração amadureceu
Fazendo bater pelo nosso mais bem querer"Este parou e outro continuou.
"Nina,
Não havia mulher mais linda
Que nossa pequena Nina
Melhor que todas, se possível, mais ainda
Mulher mais adorável
Mulher bendita
Mulher admirável
Mais bela que a própria pedra ametista."E então outro que não havia falado até aquele momento continuou.
"Todos os cinco por ela se apaixonaram
Mas ela apenas um, amou e escolheu
Os quatro, então, lutaram
Pelo amor dela que a nenhum reconheceu
Um matou
O outro morreu
O outro ficou louco
E o outro endoideceu."Então os cincos, falaram juntos. Cada um mais triste que o outro.
"Aquele que ela correspondeu, foi assassinado
Pelo seu melhor amigo
Esfaqueado
Tornando-se um fantasma
A pessoa que ela havia amado
Estava morto
Não agüentou tal amargo
E então havia decidido
Ela se matou
Não agüentando tal sofrimento.
Todos os outros
Morreram até em seu pensamento
Tal abalo sentimental
Havia sido muito grande
Destruindo toda a sanidade mental
Tudo foi muito angustiante
Essa é a nossa história
Triste e sem motivos
Razão sem glória
Menos altivos
Não temos orgulho do que aconteceu
Mas assim foi, morremos
Não se pode mudar o que ocorreu
Então, assim vivemos
Sem alegria
Sem vida."Gina, se conseguisse chorar, choraria. Mas agora não dava mais. O veneno estava tomando conta de todo o seu corpo. Não sentia mais nada, apenas dor. Não estava respirando bem, tinha dificuldades. Estava tudo muito escuro. Escutava tudo muito distante. Fechou os olhos, pois estes já não enxergavam nada. Não havia mais o que fazer. Ela iria morrer...
Draco escutava tudo com muita atenção. Então aquela era a história deles resumidamente. Até que era interessante, mas muito dramática. Ele sempre tinha que achar defeitos nas coisas ou estórias. Finalmente os homens haviam acabado. Então, Draco escutou a Weasley tentando respirar, olhou pra ela. Gina estava tendo dificuldades para respirar. Estava morrendo. Ele teria que fazer alguma coisa.
Ela já não enxergava nada. Tudo estava escuro. Seu corpo começou a tremer, a suar. Estava transpirando. Não conseguia controlar seu próprio corpo. Estava tremendo muito. Malfoy teria que ser rápido se quisesse salvá-la.
Bom, só havia um jeito de sair daquele lugar, era acertando aquela maldita charada.
- Falem logo essa charada. Não tenho tempo pra ficar perdendo. Como vocês podem ver, ela vai morrer se demorar muito. Então me digam logo qual é essa maldita charada.
Os homens assentiram. Ao invés deles continuarem a falar, eles entregaram a Malfoy um pergaminho. O que era aquilo? Ele teria que escrever? Que espécie era aquela charada?
Junto com o pergaminho havia uma pena com um tinteiro. Sim, ele teria que escrever. Se aquela burra da Weasley não estivesse doente, ele iria matar aqueles idiotas, por terem falado, falado e falado e no final a charada estava só no pergaminho. Mas não tinha tempo.
Já ficando totalmente sem paciência, abriu aquele pergaminho. Haviam várias coisas escritas, e no final uma tabela. É, teria que quebrar a cabeça. Começou a ler rapidamente antes que alguma coisa acontecesse.
"CHARADA
01. Há cinco casas diferentes. (uma fazenda, uma mansão de cor azul claro, uma casa mais simples, uma mansão de pedras e uma casa de campo).
02. Em cada casa mora uma pessoa diferente. (Jack Tylor, Erick Dantas, Christian Sawa, Daniel Wood e Jonathan Depp).
03. Cada um desses cinco gosta de um tipo de luta, cada um gosta de fazer uma coisa diferente, e cada um tem um certo tipo de animal de estimação. (lobo, gato, cachorro, coruja e uma cobra).
04. Nenhum deles tem o mesmo animal, o mesmo gosto ou fazem a mesma luta.
Dicas:
1. Erick Dantas vive na casa mais simples.
2. Christian Sawa tem um cachorro como animal de estimação.
3. Jack Tylor luta, é espadachim.
4. A mansão de pedras fica à esquerda da fazenda.
5. O dono da mansão de pedras luta com espadas poderosas, grandes e pesadas.
6. A pessoa que gosta de tocar harpa tem um lobo.
7. O dono da mansão azul gosta de se molhar na chuva.
8. O homem que vive na casa do meio (centro) luta com os próprios punhos, sem armas.
9. O Daniel Wood vive na primeira casa.
10. O homem que gosta de cantar vive ao lado do que cria coruja.
11. O homem que cria um gato vive ao lado do que gosta de se molhar na chuva.
12. O homem que gosta de cavalgar entre as florestas luta com feitiços poderosos, com sua varinha, magia bastante antiga.
13. Jonathan Depp gosta de jogar xadrez mágico.
14. Daniel Wood vive ao lado da casa de campo.
15. O homem que gosta de cantar é vizinho do que luta com arquiflecha.
Descubra a ordem, a relação de cada casa, de cada pessoa, de cada gosto, de cada animal e de cada tipo de luta. Coloque na tabela e descubra o nome de cada um.
CASA 1 CASA 2 CASA 3 CASA 4 CASA 5
Nome da pessoa:
Tipo de casa:
Tipo de luta:
Tipo de animal:
O que cada um gosta de fazer:Draco terminou de ler. É, ele teria mesmo trabalho. Teria que achar a ordem de cada casa. Qual era a primeira casa? Seria a fazenda? Ou seria a de mansão de pedras? E a segunda casa? Ele não sabia. Teria que raciocinar muito pra conseguir identificar. Conseguir achar a ordem de tudo. Conseguir achar o dono de cada casa, seu animal, o que gostava de fazer e o tipo de luta que cada um gostava. E o principal, achar a ordem dos nomes.
No momento em que Draco ia começar a pensar, aqueles homens falaram, dando um aviso.
"Nós somos esses homens
Descubra a relação que existe
E coloque nesta tabela
Que viste.”