Postado em 31/07/2006 13:06
Em todas as sociedades antigas, a magia e a religião estavam interligadas. Acreditava-se que havia muitos deuses e espíritos secundários, bons e maus, que controlavam a maioria das coisas da vida, eram responsáveis pelo sol e pela chuva, pela prosperidade e pela pobreza, pela doença e pela saúde. O propósito da magia era agradar ou controlar esses espíritos. Assim como a religião, a magia compreendia rituais e cerimônias que apelavam aos deuses. Só que, em vez de adorar essas divindades, os mágicos lhes pediam, ou até exigiam, favores.
Às vezes os mágicos apelavam aos deuses simples para obter ajuda quando queriam lançar feitiços ou proferir uma maldição. Mas muitas vezes também tentavam fazer essas divindades aparecerem “em pessoa”. Depois de cumprir a cerimônia especial a fim de convocar ou invocar um espírito, um mágico da antiga Babilônia ou do Egito podia ordenar ao espírito que levasse embora a doença, abatesse um inimigo ou garantisse alguma vitória política. Era costume ameaçar uma divindade menor como um castigo a ser aplicado por espíritos mais poderosos, caso a exigência do mágico não fossem satisfeitas. Em seguida, o mágico dispensaria a divindade, enviando-a de volta para o mundo dos espíritos. Centenas de documentos da antiguidade confirmam que tentar recrutar espíritos era uma atividade comum, ainda que muitas vezes frustrante, na Grécia e na Roma antigas. Quase todas as formas de magia da antiguidade dependiam do prévio conhecimento dos nomes secretos dos deuses. Pensava-se que muitas divindades tinham dois conjuntos de nomes, os nomes comuns, que todos sabiam, e os nomes secretos, conhecidos apenas pelas pessoas que estudaram as artes mágicas. De certo modo, esses nomes secretos foram as primeiras palavras mágicas. Faladas ou escritas, julgava-se que elas tinham um grande poder, pois se acreditava que saber o nome verdadeiro de um deus tornava o mágico capaz de invocar todos os poderes que o deus representava. Os sacerdotes egípcios davam as suas divindades nomes compridos, complicados e muitas vezes impronunciáveis, para que forasteiros não pudessem aprendê-los com facilidade. Dizia-se que Moisés havia dito o nome secreto de Deus, com setenta e duas sílabas, que só ele conhecia. E, segundo o escritor Plutarco, o nome da divindade guardiã de Roma foi mantido em segredo após a fundação da cidade da cidade e era proibido perguntar qualquer coisa a respeito dessa divindade – nem mesmo se era macho ou fêmea –, para que os inimigos de Roma não descobrissem esse nome e invocassem o deus para seus próprios fins. À medida que as civilizações antigas foram entrando em contato umas com a outras, tornou-se cada vez mais comum que os mágicos de outras culturas “experimentassem” os nomes dos outros deuses de outras regiões. Alguns dos manuscritos mais antigos com registros de práticas mágicas, redigidos nos séculos III e IV, contem listas compridas com os nomes dos deuses de muitas religiões, que poderiam ser escritos em talismãs e amuletos, ou incorporados a feitiços e encantamentos. Um dos encantamentos mais famoso entre os mágicos gregos e egípcios do século III, supostamente era tão poderoso que “o sol e a terra se curvam, humildes quando o escutam; rios, mares, pântanos e fontes se congelam quando o escutam; pedras explodem quando o escutam”, era composto com os nomes de cem divindades reunido
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