A escrita tem uma cor. Sabiam?
E qual seria?
Branca.
Se pensarem um pouco, isso lhes parecerá lógico. Ora, quando nos propomos a escrever alguma coisa não sabemos exatamente como tudo vai se desenrolar. Você pode ter a idéia - seja uma narrativa, poesia, roteiro, etc -, mas muitas vezes não sabe como chegar ao final. E mesmo que já preveja um fim, no decorrer da escrita, você pode mudar de idéia.
Há de se considerar também que em determinado momento, geralmente no meio da escrita, você chega a um impasse de por onde vai conduzir a história.
Deus, que suplício! Pra onde ir? O que fazer? Quais palavras utilizar?
É uma incerteza, uma agonia, uma dor, um verdadeiro branco!
Isso mesmo, minha gente. Chegamos ao branco.
Cor branca. Do papel, ou melhor dizendo, da tela do computador. Da mente.
E mesmo que terminemos nossa escrita, a cor branca ainda estará lá para ser preenchida pelo leitor. Por cada leitor. Cada qual vai colorir a história com a interpretação que melhor lhe aprouver.
A escrita é solitária. A leitura também. A cor branca é solidão.
Incerteza, agonia, dor, solidão. Tudo isso e muito mais o escritor vai encontrar na cor branca da escrita.
Que o diga Emily Dickinson. Ou Marguerite Duras.
[b]Baseado em estudos sobre "A cor branca da escrita", teoria apregoada pela Doutora em Literatura, Professora Lúcia Castello Branco, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).