I Dont Drink Wine
por Countessdracula
Era uma vez um pobre príncipe, ou melhor, um rico príncipe que está em seu castelo às margens do rio Arges. É noite e a criadagem foi estrategicamente dispensada para que o nobre possa, sem acanhamentos, declarar-se para a bela jovem (já comprometida) sentada a sua frente. O pobre – rico, rico!- rapaz está ali tomando coragem (e muito vinho), mas até agora, nada. As horas se passam, a comida se vai e as palavras não vêm. Nós já estamos entediados. Ela também. Aliás, além de entediada, entorpecida de tanto vinho, assim como ele.
Quando finalmente -põe finalmente aí – Vlad encontra a cantada, caham, digo, as palavras perfeitas, alguém bate a porta. Atrapalhado e nervoso (leia-se bêbado) ele levanta-se bruscamente derrubando vinho em sua camiseta branca. Ele reclama mentalmente, e chega a lembrar daquela famosa frase ‘ me quebre o copo, mas não derrame o líquido’, mas é tarde demais. Concentra-se então em recompor-se, não esquecer o que iria dizer à nobre donzela, e vai abrir a porta.
A moça, com o efeito do vinho, acaba cedendo ao sono, dormindo na cadeira mesmo.
Quando abre a porta, Vlad sente uma coisa presa ao seu canino esquerdo e tenta retira-lo usando o lábio superior. O visitante inoportuno, empata-foda (não que estivesse acontecendo uma, mas você me entendeu!) é justamente o padre local. Tcharam! Tudo bem, tudo bem, ele era amigo do Vlad. Mas era padre, poxa! E veio justamente para esclarecer certos rumores envolvendo sangue humano, jovens donzelas e um nobre valaquiano muito conhecido. Caham.
Ao reconhecer o padre – bêbado é foda pra reconhecer alguém, viu? – que usava o característico crucifixo no pescoço e segurava uma tocha (lembrando que era tarde da noite), Vlad pensa: “Ferrou!”, bate-lhe a porta e grita: “ Vá embora padre. Amanhã falo com o senhor!”
Tudo bem, não era dessa vez que ele pegaria-opa, se declararia, para a jovem.
O padre foi embora, mas o estrago estava feito. O religioso sairia acreditando não ter reconhecido o velho amigo, afinal ele tinha a roupa embebida em ‘sangue’, estava transtornado e entorpecido. Tinha os dentes à mostra!!! E claro,para piorar, sim, ele viu a jovem ali deitada, ‘seviciada’.(Seviciada,sim, só que em vinho). No dia seguinte o padre espalhou esses rumores. Espalhou também que havia esperança ao nobre, já que ele havia “recuado diante do fogo do archote e da cruz.”.
Séculos depois, no mesmo castelo ...
Noite. Jantar. Mesmo nobre, mas a companhia é outra: De um jovem rapaz, que irá executar um trabalho ao Vlad. Drácula pergunta se ele aceita vinho, para acompanhar o frango. Ele aceita e pergunta se ele também, não vai beber. Lembrando- se daquela noite, séculos atrás e principalmente, dos problemas que ela lhe criou, ele responde, em alto e bom tom:
- Eu não bebo... Vinho!
Baseada em artigo publicado pela revista "Vampiro & Cia".
Tepes, Fran Countessdracula. I Dont Drink Wine. Nyah Fanfiction, 2008. Disponível em:
http://fanfiction.nyah.com.br/historia/15300/I_Dont_Drink_Wine/capitulo/1