Hana KimiLogo no primeiro volume somos apresentados à jovem Ashiya Mizuki, meio japonesa e meio americana, ela morava com os pais nos EUA. Amante dos esportes e excelente corredora, ela estava cansada da chatice da sua vida, quando, três anos antes do início da história, ela assistia um campeonato de salto em altura estudantil quando viu, Sano Izumi. Fascinada pelas habilidades do rapaz, e disposta a tudo para vê-lo saltar, ela passa a acompanhar a carreira de Sano. Assim, ela espera até entrar no colegial e convence os pais a deixá-la estudar no Japão, na mesma escola do rapaz. Só que existe um pequeno problema: Sano estuda em uma tradicional escola masculina, a Osaka Gakuen.
Não me perguntem como os pais dela não descobriram ou a direção da escola não desconfiou... Coisas de mangá, vocês sabem... mas ela consegue admissão, e antes de viajar, pede à sua melhor amiga, Julia, que corte bem curto os seus longos cabelos. Com o novo visual, um corpete apertando seu busto - que para sua sorte é pouco desenvolvido - e vestindo roupas masculinas, Mizuki começa sua nova vida. Na nova escola, Mizuki logo conhece Sano e percebe que o rapaz não vai muito com a sua cara.
O fato é que,para "sorte" de Mizuki, ela e Sano acabam sendo designados para o mesmo quarto.
Mizuki acaba descobrindo que por algum motivo Sano parou de saltar e toma como sua missão pessoal fazê-lo voltar aos esportes. Já Sano, descobre por acidente logo no início do mangá que Mizuki é uma garota e não conta para ninguém. Não pense que estou estragando a sua leitura contando isso. Sano passa a ser o anjo da guarda de Mizuki, ajudando-a a guardar seu segredo, sem que a menina saiba de nada. Considero a descoberta de Sano uma das grandes sacadas da história, pois geralmente o "amado" é o último a saber e isso já virou clichê. A autora de Hanakimi não subestima a nossa inteligência, nem a dos seus personagens.
A vida da menina não é nada fácil, pois tem que fingir o tempo inteiro, tendo cuidado com todos os detalhes. Por exemplo, na língua japonesa - e sendo Mizuki americana, ela vive tropeçando - existem expressões e formas de tratamento e palavras que são usadas só por homens ou só por mulheres. Um simples "eu" ("atachi" é feminino ou infantil; "watachi" é neutro, "boku" e "ore" são masculinos, e por aí vai.) pode ser uma armadilha. Assim, se Mizuki não tiver cuidado com seu jeito de andar e tratar os outros, as pessoas podem pensar não que ela seja uma garota, afinal, é uma escola masculina, mas um homossexual. Além disso, deve ter cuidado com o seu corpo que pode representar um grande perigo para ela.
A Osaka Gakuen é dividida em três dormitórios, na qual os três dormitórios, o A é o dos atletas, o B reúne tanto atletas quanto alunos com outras aptidões e C é o dos artistas. Além de Sano, Mizuki, que passa a morar no dormitório B, conhece outros garotos e dois deles merecem destaque, o Nanba e Nakatsu. Nanba é veterano de Mizuki e chefe do dormitório B, além disso, é muito bonito e extremamente narcisista. Esse traço da sua personalidade fica bem evidente no episódio da Feira Cultural na qual os três dormitórios se enfrentam e Nanba faz de tudo para que sua "casa" vença.
Já Nakatsu é uma das figuraças da escola. Jogador de futebol com muito futuro, ele acaba apaixonando-se por Mizuki e entra em crise a respeito da sua sexualidade, o que rende alguns dos bons momentos do mangá. Afinal, se ele está apaixonado por um colega, ele seria gay, certo? Como lidar com a questão? Fugir? Assumir? E quando Nakatsu descobrir que Mizuki é mulher? Vai preferi-la como homem? Vai disputá-la com Sano? Só lendo o mangá pra saber.
Além dos rapazes, e são muito, outra das figuras marcantes do mangá é o médico da escola e tio de Nanba, o Dr. Umeda. Ele fica sabendo da identidade de Mizuki quase ao mesmo tempo que Sano. Só que ele não descobre o segredo porque a examina ou algo assim. De acordo com o Doutor, o seu "gaydar" faz com que ele reconheça uma mulher à distância... Ah, e deseja que elas fiquem bem longe dele, claro. Só que Mizuki consegue ganhar sua amizade, meio que a força, e acaba elegendo o médico como seu confidente.
Umeda é, sem dúvida, uma das personagens mais legais e dá muitos conselhos úteis à Mizuki, além de ajudar a proteger sua identidade e livrá-la de algumas enrascadas. É através dele, que a autora faz muitas piadas, principalmente sobre o fato de Hanakimi ser um falso mangá yaoi. Afinal, ele tem um elenco quase que todo masculino, um personagem importante declaradamente gay e uma menina que todos pensam que é um menino bonitinho como protagonista e sendo assediado/a pelos garotos (!). Dr. Umeda tem bons motivos para nos presentear com suas ironias e sarcasmos.
Hanakimi me surpreendeu exatamente porque não investiu no óbvio de fazer Sano se apaixonar por Mizuki-rapaz. Aliás, o garoto, que não é cego nem tonto. Movido pela curiosidade, ele começa uma relação de amizade e respeito que vai aumentando de intensidade conforme os dois vão se conhecendo. Sano faz de tudo para protegê-la e ajudá-la a se adaptar ao ambiente masculino sem que ela perceba - pelo menos o tempo todo - e começa a achar legal o fato de estar rachando o alojamento com uma garota. Os dois, obviamente descobrem que estão apaixonados, mas o romance não monopoliza a história e a torna monótona.
E o que teria essa história de especial? À princípio, nada, pois recorre a velha fórmula da garota, sempre um tipo meio andrógino, disfarçada de rapaz em um ambiente exclusivamente masculino. Como a história tem muito pouco ou nada de feminista, Mizuki não está lá por nenhuma motivação muito nobre ou militante, quer somente estar perto de Sano. E, afinal, quem pode recriminá-la? Importante é enfatizar que é o talento da autora, Nakajo Hisaya, em contar as aventuras e desventuras de Mizuki, a menina disfarçada de rapaz, e seu dia-a-dia no colégio sempre com muito humor que transforma Hanakimi em uma leitura deliciosa. E Mizuki acaba também gostando de poder espiar os garotos e entrar na sua intimidade. Afinal, quem nunca sonhou em poder transitar livremente, sem se importar com as barreiras impostas pela sociedade? Só que e se alguém descobrir? Como ficará a situação de Mizuki? Bem, só lendo o mangá para saber!
Outra coisa interessante do mangá é que Mizuki não tem nenhuma motivação contestadora para fazer o que faz, nem quer provar nada para a "sociedade machista" ao seu redor, como no filme "Quase Igual aos Outros", ela quer somente estar perto de Sano. Só isso! E, afinal, quem pode recriminá-la? É importante, também, enfatizar que é o talento da autora, Nakajo Hisaya, em contar as aventuras e desventuras de Mizuki, a menina disfarçada de rapaz, e seu dia-a-dia no colégio sempre com muito humor que transforma Hanakimi em uma leitura deliciosa. Disse no início que não gostei da arte da autora, mas foi só impressão. Na verdade, quem acompanhar Hanakimi do início ao fim vai perceber que a autora muda de traço pelo menos três vezes, seja porque se aperfeiçoa como desenhista, seja porque optou por isso.