Desculpem a demora pessoal, mas a última parte do artigo está aqui! Espero que apreciem, e por favor comentem!
Tratamentos PossíveisA infeliz constatação de que seu OC é uma Mary Sue/um Gary Stu não significa que você tenha que desistir dele. Há maneiras de recuperar o seu personagem, dependendo da gravidade da situação e do tipo em que ele se encontra (coisas que eu abordei na parte 2!)
Antes de começar o tratamento, é importante que o dono do personagem esteja disposto realmente a fazer mudanças nele, por mais radicais que sejam. Mudar uma ou duas coisas não vai desfazer uma Mary Sue, na maioria dos casos. Você vai ter que ir ao âmago da sua criação e remexer lá – Às vezes mudando completamente o perfil do personagem. Se não se vir capaz de fazer isso, então você provavelmente tem uma das ligações emocionais que comentei na parte 1. Se for esse o caso, melhor pedir pra outra pessoa arrumar o OC, ou desistir dele de uma vez. É triste, mas deve ser feito.
Passando por esse pequeno preâmbulo, vou lhes dar algumas boas dicas para curar uma Mary Sue e erradicar de vez a doença da corrente sanguínea de sua criatura.
Dica Número Um: Aprenda a fazer fichas.Fichas são coisas bastante importantes no processo criativo que muitas vezes são negligenciadas por autores. A maioria só se lembra delas na hora de fazer fics de ficha, e não percebe o quão útil uma coisinha dessas pode ser na hora de desenvolver seu personagem. Com uma boa ficha, você terá em mãos todas as habilidades, qualidades, defeitos e fraquezas do seu OC – O que facilita e MUITO o processo de balanceá-lo e desenvolvê-lo.
Quem está começando pode ir com uma ficha simples, que abranja apenas os pontos principais da pessoa: Nome, idade, aparência, qualidades, defeitos (às vezes se coloca “personalidade”, mas acredito que dividindo em qualidades e defeitos fica mais fácil na hora de se balancear o personagem), habilidades, fraquezas, história, gostos e desgostos. Mais pode ser adicionado dependendo do ambiente da fanfic e das necessidades do autor, mas um modelo de ficha básico assim servirá para vários tipos diferentes de OCs.
Dica Número Dois: Balanceie o personagem.Uma vez que você tenha fichado sua criação, é hora de arrumar os possíveis erros que você possa ter cometido. Verifique e compare a quantidade de qualidades e defeitos que seu trabalho possui – Nenhum dos dois pode ser demais. Muitas qualidades farão o personagem inverossímil, e muitos defeitos o farão detestável (a não ser que seja isso que você planeja!). Eu gosto de manter um número igual de defeitos e qualidades, mas um ou dois a mais pra um dos lados não faz muito estrago.
Lembre também de ser coerente: Colocar tímido como defeito e extrovertido como qualidade é um paradoxo. Se o personagem for extrovertido em ALGUMAS situações e tímido em outras, deixe isso bem claro! Ainda assim, tente não colocar adjetivos que se anulem na descrição de seu OC. Com esse tipo de dualidade, você pode acabar se confundindo ou não explorando devidamente as diferentes características de sua obra.
Outra coisa importante a se lembrar é a diferença entre defeitos e “defeitos”. Senso de justiça NÃO É defeito, NEM uma aparência fria, MUITO MENOS sensibilidade. Se seu personagem julga os outros, ponha logo isso! Se sua pessoa finge ser algo que não é, bote logo hipócrita! Se o seu OC é um tolinho que é enrolado por todos, bote logo ingênuo! Não tenha MEDO de pôr defeitos na sua criação. TODO MUNDO TEM FALHAS. Se colocar apenas eufemismos na sua ficha, seu personagem não vai deixar de ser Mary Sue nunca!
Dica Número Três: Cuidado com a aparência!O que eu mais vejo por aí são Mary Sues com cabelos enormes, que só faltam ter vida própria e defender sua dona como as cobras de Medusa. Isso sem falar nos lindos olhos brilhantes com cor exótica natural, as peles perfeitas de porcelana e os corpos bem torneados. Como diria Felipe Neto: ISSO NÃO EXISTE!
Assim como não existe alguém somente com qualidades no mundo, não existem pessoas com aparência perfeita! Alguma coisa seu OC deve ter de falhas, nem que seja uma verruga na ponta do nariz. Não há nada de errado em ter um personagem acima ou abaixo do peso ideal. Não há nada de errado em ter OCs baixinhos ou altos demais. Não há nada de errado em ter criações indígenas, morenas, negras, brancas, orientais, infantis, idosas ou o que for. Nem todo mundo é uma supermodelo, e isso com certeza não vai fazer seu personagem menos interessante ou menos atraente! São as diferenças que tornam as pessoas especiais, e isso vale pra pessoas da imaginação também.
Também não há problema algum em fazer um OC atraente de verdade, mas que pelo menos essa pessoa se esforce pra isso. É praticamente impossível ter um cabelo perfeito sem cuidar dele todo dia, assim como ter uma pele lisa sem se alimentar bem, ou comer o que quiser e ser magro sem exercício (a não ser que seu personagem tenha metabolismo rápido, ou seja hipoglicêmico). Cuidado também com recolor, ou seja, pegar um personagem dessa ou daquela obra e fazer uma versão com gênero trocado, ou com cabelo de cor diferente, entre outras mudanças mínimas. Lembre-se sempre de ser coerente em tudo que sua criação faz.
Dica Número Quatro: Mantenha os pés no chão.Não é por seu personagem viver num mundo irreal que ele ou ela deve ser irreal. Por mais esquisito que seja o ambiente ou a situação enfrentada por ele, seu OC deve ter algo de humano para que seu leitor possa identificar-se (mesmo que o personagem em questão não seja tecnicamente humano). Isso é especialmente importante para protagonistas, mas também pode servir para personagens secundários e até para vilões; afinal, como o leitor vai poder sentir as emoções ou anseios da sua criatura se não conseguir se identificar com ela?
O realismo de sua obra não deve ser resumir apenas à aparência e personalidade (que podem e devem ser condizentes com o universo criado pelo autor original ou por você), mas também a seus poderes, capacidades e fraquezas. Alguém capaz de fazer jutsus numa fic de Harry Potter, ou um meio-sangue numa fanfic de Naruto pode soar bastante esquisito, e se você não conseguir desenvolver isso corretamente, pode dar errado. Não há nada de errado em criar poderes diferentes (na verdade, é muito bom!), mas, por favor, não faça seu personagem invencível ou intocável. Ele ou ela pode e DEVE ter fraquezas.
O mesmo conselho que dei sobre defeitos também se aplica às fraquezas de sua pessoinha: Não tenha MEDO de pôr fraquezas. Se sua OC tem asma, ela pode ter um ataque no meio de uma batalha, não apenas quando o mocinho vai beijá-la. Se seu personagem precisa de concentração pra usar seu ataque especial, ele pode se ver numa situação em que não vai conseguir usá-lo. Se seu personagem é bastante inteligente, mas meio franzino, ele pode se dar muito mal numa luta de rua. Crie fraquezas e mantenha-se FIEL a elas. Aliás, falando em fidelidade...
Dica Número Cinco: Seja fiel às suas decisões.Uma vez que você tenha criado seu OC, você terá que manter-se fiel ao que imaginou para ele ou ela. Claro, algumas mudanças ao longo da fic devem ocorrer para que a pessoa se desenvolva, mas tome muito cuidado para não terminar a fanfic com um personagem totalmente diferente do que começou (a não ser que seja isso que você queira – Logo irei explicar isso melhor). Do que adianta ter todo o trabalho para inventar uma personalidade, aparência e habilidades condizentes para no fim você desconsiderar tudo e transformar a pessoa em Mary Sue?
Outra coisa que você deve tomar cuidado em considerar é o universo do autor original. Ao inserir um OC nesse meio, deve-se levar em conta como os personagens da obra lidariam com ele ou ela, como o personagem lidaria com eles, com o meio, com os acontecimentos. Não é por sua criação aparecer que aquele garoto gay vai repentinamente se tornar hétero, ou aquela menina que não gosta de ninguém vai se tornar melhor amiga forever e feliz, ou o protagonista vai deixar a namorada chata e correr para os braços de sua OC. Essas coisas só podem acontecer caso for condizente com o caráter da pessoa em questão e depois de muito tempo, muita convivência, muito desenvolvimento da sua parte, e com BOAS razões. Assim como você deve manter-se fiel à personalidade do seu personagem, também deve manter-se à personalidade dos personagens que não são seus!
Isso quer dizer que você não pode mudar a personalidade de uma pessoa aqui ou acolá? Pode, mas não exagere, ou vai acabar com algo tão diferente da obra original que nem vai parecer uma fanfic. Se o canon não lhe der informações suficientes sobre a pessoa em questão (ou seja, um personagem bem secundário!), aí você pode inventar um pouco. Se quiser mudar a personalidade de um protagonista, tenha boas razões pra isso. Fora essas hipóteses... Pelo amor dos 12 Olimpianos, mantenha-se fiel à obra original, ou ao menos avise a seus leitores se vai fazer do Sasuke um garoto feliz que colhe florzinhas no campo!
Dica Número Seis: Não dê um passo maior que a perna.Muitas vezes, uma ideia que parecia completamente incrível na sua mente sai muito mais ou menos no papel. Isso acontece normalmente quando o autor não tem experiência ou maturidade para escrever certo tipo de história, ou mesmo uma cena importante que acaba paralisando toda a fic. Portanto, não dê um passo maior que sua perna. Saiba seus limites. Se você não leu muitas cenas de sexo ou não sabe descrever esse tipo de coisa, não coloque na sua história! Se você não sabe lidar com personagens duais ou falsos, não faça um desses seu protagonista! É uma questão muito simples de conhecer a si mesmo e buscar mais experiência.
Significa que no futuro você não vai poder escrever algo assim? Claro que não! Uma das melhores amigas da criação é a pesquisa. Leia muito vários tipos diferentes de escrita (não só mangás e fictions, leia também livros de diferentes gêneros) para ir aprendendo mais sobre cada um deles e descobrindo quais combinam mais com você. É pesquisando e aprendendo que você vai evoluindo.
Se você não tem certeza se sabe ou não descrever uma cena ou trabalhar um personagem, experimente tentar e mostrar a alguém mais experiente (uma beta, por exemplo) para saber se está bom ou não. Se não gostar do que fez, reescreva. De nada adianta fazer um OC perfeito na ficha e ele acabar uma Mary Sue simplesmente por você não conseguir desenvolvê-lo direito...
Dica Número Sete: Desenvolva.Acredito que essa é uma das dicas mais importantes que eu posso passar. Muitas vezes, bons personagens acabam se tornando Mary Sues simplesmente por seus autores não conseguirem desenvolvê-los do jeito correto. E o que é desenvolver o personagem? É explorar os limites de sua personalidade, fazê-lo mudar ou mostrar aspectos antes desconhecidos do caráter. Em suma, fazer o personagem crescer e aprender.
Muita gente peca no desenvolvimento de personagens por simplesmente não fazer mudança nenhuma. Por acaso você acha que na vida real alguém passaria por uma enorme batalha e pela perda de amigos numa guerra sem ter no mínimo UMA mudança psicológica? Ou não ficaria abalado por descobrir que sua mãe mentiu pra ele a vida toda? Apenas grandes traumas ocasionam mudanças severas na personalidade de alguém (especialmente adultos e jovens), mas não significa que acontecimentos marcantes não vão fazer seu personagem ver o mundo de forma um pouco diferente. Ele pode continuar sendo amigo e brincalhão, mas depois de perder amigos queridos, talvez fique um pouco mais pensativo. Alguém inseguro pode ir aos poucos adquirindo mais força de vontade, com o apoio dos amigos ao seu redor. Um personagem que se meteu em problemas por arrogância e acabou perdendo algo precioso no processo pode se sentir culpado, triste, se tornar menos impulsivo e mais cauteloso. Assim como a vida que ele levou até o começo da fic vai ajudar a definir a personalidade que ele ou ela tem no começo, os acontecimentos que ocorrem durante a fic vão ajudar a definir a personalidade em seu término. Isso é o desenvolvimento de personagens, e é bastante importante para ajudar seus leitores a se identificarem com seu OC. Afinal todos nós mudamos e aprendemos com as coisas da vida.
Para aprender como desenvolver corretamente a personalidade de tal personagem, nada melhor do que ler bastante e aprender como bons autores desenvolvem seus personagens. Perguntar a outros autores também pode ser útil, caso você esteja em dúvida em como explorar melhor uma qualidade ou outra.
Para terminar este artigo, algumas informações finais...
Cuidado quando elaborar o passado de seu personagem. Se enchê-lo de tristezas e tragédias, a coisa pode acabar meio chata. Leve em conta a personalidade que ele tem no começo da fic na hora de avaliar o passado que ele possa ter tido – Ou vice versa.
É bom ter um beta ou um amigo também escritor, de preferência com maior experiência, para que ambos troquem informações e ajudem nas fics um do outro. Tente entrar em contato com ficwritters que você admira e faça amizade com eles. Nada deixa um escritor mais feliz que encontrar um fã de seu trabalho que queira progredir.
Leia muito. Escrita e leitura são bastante interligadas, e lendo bastante você poderá aprender novas maneiras de descrever lugares e personagens, formas de desenvolvimento interessantes e como criar um bom enredo.
A regra máxima de como não fazer uma Mary Sue: Seja coerente e realista! A personalidade de seu personagem, sua aparência, suas habilidades, sua existência devem fazer sentido no mundo que ele habita, segundo as regras desse universo. Se pessoas podem voar, então um personagem que possa voar faz sentido. Se seu personagem é uma exceção à regra, como alguém sem poderes numa aldeia de magos, o modo como ele se comporta será afetado por isso.
Lembre-se que há outros personagens na sua fic além de seu OC. Não mantenha o foco nele ou nela o tempo todo. Alterne entre os secundários, dê mais informações sobre eles, mantenha pequenas tramas paralelas. Isso tornará sua história mais rica e interessante, sem desmerecer a trama original.
Alguns autores que eu recomendo para referências são: Yoshihiro Togashi, Hiromu Arakawa, Tess Gerritsen, JK Rowling, Shiori Teshirogi e Joseph Delaney. Todos sabem muito bem conduzir personagens sem que se tornem Mary Sues.É isso pessoal, espero que tenham gostado. Comentários, críticas, sugestões de temas, pedidos de ajuda e o que mais for preciso nos comentários.
Até a próxima!
Kyuubi-Sempai