Máscaras
Eu tinha medo das máscaras. O próprio rosto do ser humano é uma máscara e não o conhecemos por inteiro. Mas eu também era uma mascarada. Ninguém conhecia ninguém e por detrás da máscara eu também era ninguém. No meu faz de conta às pessoas não precisam de máscara. E nem eu.
Desde a meninice meu rosto é um mistério para mim mesma. Negligenciada a ver minha própria face, que não fosse à de um palhaço. Está é minha há marca: o palhaço chorão, pergunto-me por que me deram esse ‘rosto’. Talvez, por que a lágrima pintada revela a dor de uma cruel realidade.
Olhando-me no espelho eu me vejo como sou e imagino como deveria ser. Já nem mesmo tenho certeza de que sou quem sou. Este cabelo é meu? Estes olhos que desconheço a cor são meus? Se este mundo é mentiroso onde estará a verdade?
Houve um único momento em que me senti vulnerável, frágil, totalmente exposta. Fora um mascarado que me lera com seus olhos negros. Despedaçara minha máscara e enfim ela cairá e vi-me como realmente era.
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