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Nome: Hugo Rachmaninov
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~Spica - Jornais

  3 jornais


My Best

Postado em 24/04/2009 22:14


É difícil olhar para trás e querer relembrar o momento mais belo com a minha melhor amiga, ou mesmo a ocasião mais gostosa com ela. Se eu pudesse mudar alguma coisa, creio que eu mudaria nada, não sei porquê.
Eu não sei se deveria admira-la, declara-la, homenageia-la ou agradece-la. Mas eu gostaria de deixar escrito nossa história onde todos pudessem ver, para que isso estimulasse a existência de mais amizades simples, intensas e sinceras. Nossa amizade é simples quando vivida, mas tão complexa para ser descrita. Talvez isso se deva ao fato de que o amor a gente não explica, simplesmente o vive.
Minha melhor amiga me ama e pronto! È com ela que eu tenho um pouco mais de sintonia, é minha irmã de alma e coração. É... se não fosse ela, quem me chamaria de ‘huguety’? Quem tentaria me deixar empolgado? Quem me passaria vergonha? Quem viraria para todos os seus colegas e diria: “Não liga, ele é Gay” ? Estranho seria se eu não gostasse tanto dela.
Minhas férias, minha tardes e madrugadas sem ela são tão sem graça. Mesmo que distantes a gente se fala o dia todo. Nós nos preocupamos um com o outro.
É incrível o nosso apego, a sinceridade, as brincadeiras, a preocupação, as discussões bobas. Creio que eu sentiria saudades dela mesmo sem conhece-la, e se ela não existisse eu teria que inventa-la.
Melhores amigos devem ser anjos, que sempre aparecem quando estamos sozinhos, mesmo que não mereçamos, e tornam os nossos dias mais felizes. Se eu pudesse eu te levaria para eternidade comigo, para todo o sempre, mesmo que o sempre não exista, para toda a minha vida. Eu te carregaria nas costas e te levaria no meu coração, só para ter você perto de mim.
Sonhos escondidos debaixo das cobertas e segredos varridos pra debaixo do sofá, pra ela eu conto, mas só pra ela!
Hoje eu apenas agradeceria a Deus por conceder um anjo a mim, você. E se eu tivesse apenas desejo, não desejaria mansões, carros ou homens, desejaria apenas te-la como minha eterna melhor amiga. Porque amizade igual a nossa, fortuna nenhuma nessa vida compra. É simples, mas intenso. É o tal do amor incondicional.
Larissa, eu amo muito você, minha eterna melhor amiga!



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O Primeiro Beijo

Postado em 04/04/2009 19:37




Os dois mais murmuravam que conversavam: havia pouco iniciara-se o namoro e ambos andavam tontos, era o amor. Amor com o que vem junto: ciúme.
- Está bem, acredito que sou a sua primeira namorada, fico feliz com isso. Mas me diga a verdade, só a verdade: você nunca beijou uma mulher antes de me beijar? Ele foi simples:

- Sim, já beijei antes uma mulher.

- Quem era ela? perguntou com dor.

Ele tentou contar toscamente, não sabia como dizer.

O ônibus da excursão subia lentamente a serra. Ele, um dos garotos no meio da garotada em algazarra, deixava a brisa fresca bater-lhe no rosto e entrar-lhe pelos cabelos com dedos longos, finos e sem peso como os de uma mãe. Ficar às vezes quieto, sem quase pensar, e apenas sentir - era tão bom. A concentração no sentir era difícil no meio da balbúrdia dos companheiros.

E mesmo a sede começara: brincar com a turma, falar bem alto, mais alto que o barulho do motor, rir, gritar, pensar, sentir, puxa vida! como deixava a garganta seca.

E nem sombra de água. O jeito era juntar saliva, e foi o que fez. Depois de reunida na boca ardente engulia-a lentamente, outra vez e mais outra. Era morna, porém, a saliva, e não tirava a sede. Uma sede enorme maior do que ele próprio, que lhe tomava agora o corpo todo.

A brisa fina, antes tão boa, agora ao sol do meio dia tornara-se quente e árida e ao penetrar pelo nariz secava ainda mais a pouca saliva que pacientemente juntava.

E se fechasse as narinas e respirasse um pouco menos daquele vento de deserto? Tentou por instantes mas logo sufocava. O jeito era mesmo esperar, esperar. Talvez minutos apenas, enquanto sua sede era de anos.

Não sabia como e por que mas agora se sentia mais perto da água, pressentia-a mais próxima, e seus olhos saltavam para fora da janela procurando a estrada, penetrando entre os arbustos, espreitando, farejando.

O instinto animal dentro dele não errara: na curva inesperada da estrada, entre arbustos estava... o chafariz de onde brotava num filete a água sonhada. O ônibus parou, todos estavam com sede mas ele conseguiu ser o primeiro a chegar ao chafariz de pedra, antes de todos.

De olhos fechados entreabriu os lábios e colou-os ferozmente ao orifício de onde jorrava a água. O primeiro gole fresco desceu, escorrendo pelo peito até a barriga. Era a vida voltando, e com esta encharcou todo o seu interior arenoso até se saciar. Agora podia abrir os olhos.

Abriu-os e viu bem junto de sua cara dois olhos de estátua fitando-o e viu que era a estátua de uma mulher e que era da boca da mulher que saía a água. Lembrou-se de que realmente ao primeiro gole sentira nos lábios um contato gélido, mais frio do que a água.

E soube então que havia colado sua boca na boca da estátua da mulher de pedra. A vida havia jorrado dessa boca, de uma boca para outra.

Intuitivamente, confuso na sua inocência, sentia intrigado: mas não é de uma mulher que sai o líquido vivificador, o líquido germinador da vida... Olhou a estátua nua.

Ele a havia beijado.

Sofreu um tremor que não se via por fora e que se iniciou bem dentro dele e tomou-lhe o corpo todo estourando pelo rosto em brasa viva. Deu um passo para trás ou para frente, nem sabia mais o que fazia. Perturbado, atônito, percebeu que uma parte de seu corpo, sempre antes relaxada, estava agora com uma tensão agressiva, e isso nunca lhe tinha acontecido.

Estava de pé, docemente agressivo, sozinho no meio dos outros, de coração batendo fundo, espaçado, sentindo o mundo se transformar. A vida era inteiramente nova, era outra, descoberta com sobressalto. Perplexo, num equilíbrio frágil.

Até que, vinda da profundeza de seu ser, jorrou de uma fonte oculta nele a verdade. Que logo o encheu de susto e logo também de um orgulho antes jamais sentido: ele...

Ele se tornara homem.


Escutando: Hana
Lendo: Mundo de Sofia
Assistindo: Youtube
Jogando: nada
Comendo: ''
Bebendo: Pepsi

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Larissa

Postado em 20/01/2009 18:45


Num mundo de moral inversa, onde contam os pequenos sentimentos, os grandes deslizes humanos, os desejos insanos e as incoerências do saber, ficou no céu uma estrela que brilha solitária.
A experiência conta, a solidariedade desponta e o carinho pesponta mas é a amizade que vale a pena viver e curtir. Não sei o que seria de mim sem seu fraterno amor, amiga.

Quando fiquei praticamente isolado, sozinho sem saber o que fazer, foi você que nunca me abandonou, mesmo com tudo o que diziam e faziam... Foram tantas vozes que vociferaram absurdos que várias vezes pensei apenas em me calar e me tornar invisível e você sempre me apoiando, me incentivando a permanecer de pé, mesmo que fosse para fazer número.

Agora que a verdade vem à tona e os falsos moralistas têm que engolir suas próprias tolas convicções, você está por perto a me dizer, com absoluta sabedoria, para me recolher.

É isto que farei, mesmo que o orgulho me diga para sapatear neste patê de gente e preconceitos que me fizeram amargar um rótulo nada palatável. Por isso, amiga querida, estrela que brilha com vigor mesmo em dia claro, esta declaração de amizade se faz necessária.

A você, amiga, estendo meus braços para abraçar-lhe em profundo respeito por tudo que fez por mim, nos maus e agora diferentes momentos. Ofereço-lhe este singelo mas sincero gesto de “muito obrigado”.

Feliz o ser que tem o respeito e a amizade de alguém como você, amiga.


Escutando: Uma Musica.
Lendo: ---------
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Comendo: ---------
Bebendo: Chá.

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